O universo
complexo em sua grandeza, perfeito em suas formas, simples em se doar a
humanidade, é imperceptível, no que se refere a sua magnitude, aos olhos
humanos. Vemos aquilo que podemos captar e nada mais. Se vemos nuvens ou árvores,
ou ainda se percebemos a vida em seu ciclo contínuo, é apenas uma parcela da
realidade que nos cerca. Não que o que vemos não exista, de modo algum, para
nós é real e palpável. Mas refiro-me a nossa forma de percepção. As coisas não
são só o que vemos. Entendo que o universo em sua estrutura macroscópica só se
apresenta de uma forma que possamos compreendê-lo. Nossos sentidos captam as
experiências do mundo e nós absorvemos como verdades para nossas vidas. Sim, é
preciso que possamos aceitar tais realidades para poder nos situarmos neste
plano.
Não se pode
descrever algo que não sabemos o que é. E justamente por motivos como estes que
precisamos nos situar neste globo terrestre de alguma maneira. E utilizamos
para tal, uma expressão da realidade. Uma interpretação generalizada da verdade
literal daquilo que realmente é. Para termos a consciência de mundo faz-se
preciso entender mundo, em seu conceito. Todavia, mundo não é simplesmente
aquilo que a física descreve ou aquilo que você pondera ou idealiza. É algo
maior, extremamente complexo, indescritível, uma tradução ou analogia ao
próprio Deus. Portanto percebemos aquilo que nossa capacidade nos permite
conhecer.
O universo
é guiado por uma força e milimetricamente simétrico, perfeito em suas formas.
Pode-se compreendê-lo como um caos. Ou como um equilíbrio. E ambas
interpretações nos levam a crer que é regido como em uma orquestra. Ele tem um início,
um objetivo, um caminho a ser seguido nos séculos e pela história, embora não
possamos chegar a tal magnitude. O Deus a que me refiro, não precisamente é o
mesmo que jaz é conhecido pelas tradições religiosas, refiro-me a uma força que
impulsiona o movimento da vida. O deus vida. Que se pode entender como o deus
tradicional das escolas cristãs. Embora venha a divergir em muitos de seus
aspectos.
A mente
humana não esta ligada a nenhuma outra mente humana, mas a si mesma, a seu
mundo interno, ao mundo dos sonhos. O sonho é uma expressão dos desejos da
mente, como da alma. É um reflexo da vontade racional, assim como também
reflete a vontade independente de seu desejo, a da alma. No mundo dos sonhos
aprendemos e fixamos conhecimento já aprendido. Quando digo aprendemos, quero
expressar a fixação do conhecimento externo introduzindo por processos de
experiência ou observação.
Não temos o
conhecimento tácito. E sim somos um processo de aprendizado. A folha em branco
do qual Aristóteles se referia. Aprendemos por observar o mundo a nosso redor.
Aprendemos por experiência dos sensores humanos, os sentidos. Somos preenchidos
a cada dia, e vamos nos moldando a cada passo dado. Somos formatados com ideias
já criadas, concebidas e praticamente proibidos de pensar por nós mesmos. Por
tal motivo, é que precisamos nos libertar da opressão da imposição do saber.
Não devemos ser escravos do conhecimento alheio. Devemos pensar e criar nosso
próprio caminho. Ser escravo, nem de nós mesmos. Esta é uma absoluta no qual
expresso meus pensamentos. Refletir o mundo a nosso redor, e já que ele embora
absoluto, mas se demonstre da maneira que podemos ver, e entender por nós
mesmo. Mesmo que caminhar com nossas pernas indique percas, transtornos, e
outros tantos males que tenho por certo, são superados em bens, devemos
continuar a trilhar este processo da busca.
Aquilo que
se demonstra para nós, entendo, é apenas uma projeção, uma sombra de um mundo
completo. Sim, vemos suas sombras, suas projeções estampadas em nossos olhos.
Visto que não conseguimos ver de fato o que é. Tudo, tomo a liberdade de
expressar desta maneira, é um conjunto complexo de pixels formando tudo o que
há. Talvez diga, não seriam átomos? Por certo seriam átomos. E isso qualquer
leigo assim como eu já sabe. O que poucos conseguem ver é essa formação daquilo
que chamamos de visão e que nossos olhos respondem como formas e nosso cérebro
o interpreta para que nos situemos. Mas exatamente tudo são montagens da
verdadeira realidade. Platão dizia que o que vemos são sombras da verdade, e
deste ponto de vista compartilho tal entendimento. A verdade ela é relativa,
pois aquilo que vejo interpreto ou posso interpretar de diversas maneiras
diferentes, dando-me um leque vasto de possibilidades.
As nossas
emoções são ilusões? De fato sim e não. Defino essa dualidade como sendo um
processo de percepção. Veja: sabemos que existimos porque pensamos, assim como
definiu Descartes, penso, logo existo. A nossa consciência nos revela que
estamos aqui, embora tudo possa ser apenas uma ilusão, e nada realmente seja
físico. Mas, entendo que o processo dos sentimentos está intimamente ligado a
cada pensador. Se você sente paixão, então ela é a maior expressão de que você
esta consciente da sua paixão, logo é real. Por outro lado meus caros, se nada
é real, se a verdade é relativa, se o mundo que vivemos é o das sombras e
projeções, a nossa paixão que antes era real, agora é apenas sensação de
paixão, já que paixão não pode existir. Mas a paixão não seria então sensação?
E sensação existe. Por que então ela é menos real que a sensação? A mente
humana nos permite sentir as sensações, e se tudo que existe no mundo for
sensação então todos sentimentos simplesmente não existem, a única forma que
podemos expressar seria a sensação de que tudo é real. Inclusive a sensação
poderia ser uma ilusão do seu pensamento. Isso caracterizaria na não existência
de tudo, pois se sensação não mais existe e é ilusão da mente, a mente também
não deveria existir, logo não teríamos a certeza da existência e nunca
saberíamos quem somos, ou questões como estas.