segunda-feira, 23 de junho de 2014

Prepotência da fé


 Se observarmos atentamente na virtude cristã ou de modo holístico na moral religiosa, poderemos apreciar uma inenarrável arrogância de caráter. Afinal, nestes meios espiritualizados somos servos dos melhores mestres e por tal somos os discípulos escrupulosos.  A conclusão que obtém de tal preponderância é que toda forma de fé é alienação e sedução de poder. Todos desejam superar-se  para serem melhores, alcançar o nirvana de seus espíritos e ascender a novas posições a que se dispõem para com seus deuses. Quanto orgulho a na fé, na convicção do caminho moral, nos céus.
Imagine quando chegar o apocalipse bíblico, se chegar e apenas suponho a existência de tal possibilidade didaticamente; este dia será o dia de maior falha de caráter de todo e qualquer seguidor destes princípios. Haverá tamanha altivez subindo a seus corações que ousarão dizer: EU AVISEI.
Quanta ironia do destino, não?
Sem duvida esta será a sensação que os acometerá no juízo final, a de que recebemos o justo pela nossa falha ou falta de fé. Ai, ai, como me condeno por ter acreditado na mesma fé outrora. Mas não me considero tolo, afinal, como poderia falar de coisas das quais não conheço?!
Se existe um abismo na humanidade, este deu-se nos homens primeiros, que não sabendo guiar-se  a si próprios procuraram razões da existência noutros seres, noutro plano do qual apenas pode-se supor que exista.
Quanta moral imunda, quantos dogmas...  Estamos numa ilha, e todos a nosso redor são tantas outras ilhas (entenda-se ilhas por individualidade, isolamento psicológico). Ora, não entende? Como um só corpo agimos no meio social; pensamos, vivemos, nos relacionamos. Todavia, quantas duvidas já não nos exploraram? Logo, somos ilhas ao mesmo tempo desejando ser continente, apenas por medo de sermos o que somos, ilhas.
Contudo, gostaria de deixar claro algo do qual gerará contradição em minhas palavras. Digo que a religião teve um excelente papel social para a humanidade; lutando pela restauração da paz, o equilíbrio da vida e a equidade dos povos. Neste ponto é digna de louvor. Porém, reitero meus pensamentos: ela, a religião, desempenhou um excelente “papel”; de fato, para ela, tudo não se passa de um teatro, afinal, a maior provedora de guerras e ódio por todo o mundo é ela mesma. E de modo algum o que faz é uma forma de redimisse, apenas é um jogo, onde ela mesma fere e apresenta a cura, iludindo sobremaneira, nós, os seres desejosos de fé.
Assim, creio eu, que a verdade cabe apenas a você, individuo particular, encontrar em si mesmo. Porque tudo que você adora é só o que você conhece, e sim, não é seu. A sociedade a impôs a você. Sua família, desejosa de seus bem, o instruiu nestes caminhos a fim de seres reto e integro de caráter. Mas tudo isto é o medo da corrupção humana, e acreditam que sua devoção será recompensada pelos deuses. Mas bem sabemos que não é a religião que nos aprimora como ser social, e sim, nossas experiências acerca de mundo. Neste ponto a religião é a utopia de uma “homem moral”.

Ouça, vos clamo, e de modo algum intento obrigá-los a meus pensamentos; antes os divido como a um pão entre famintos, por que sei que vedes como vejo; por que bem vejo que és como sou. No fim, somos desejosos da verdade e da fuga das correntes. Uma consciência desperta que a outros deseja acordar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário