Se observarmos atentamente na virtude cristã ou de
modo holístico na moral religiosa, poderemos apreciar uma inenarrável
arrogância de caráter. Afinal, nestes meios espiritualizados somos servos dos
melhores mestres e por tal somos os discípulos escrupulosos. A conclusão que obtém de tal preponderância é
que toda forma de fé é alienação e sedução de poder. Todos desejam
superar-se para serem melhores, alcançar
o nirvana de seus espíritos e ascender a novas posições a que se dispõem para
com seus deuses. Quanto orgulho a na fé, na convicção do caminho moral, nos
céus.
Imagine quando chegar o apocalipse bíblico, se chegar
e apenas suponho a existência de tal possibilidade didaticamente; este dia será
o dia de maior falha de caráter de todo e qualquer seguidor destes princípios.
Haverá tamanha altivez subindo a seus corações que ousarão dizer: EU AVISEI.
Quanta ironia do destino, não?
Sem duvida esta será a sensação que os acometerá no
juízo final, a de que recebemos o justo pela nossa falha ou falta de fé. Ai,
ai, como me condeno por ter acreditado na mesma fé outrora. Mas não me
considero tolo, afinal, como poderia falar de coisas das quais não conheço?!
Se existe um abismo na humanidade, este deu-se nos
homens primeiros, que não sabendo guiar-se
a si próprios procuraram razões da existência noutros seres, noutro
plano do qual apenas pode-se supor que exista.
Quanta moral imunda, quantos dogmas... Estamos numa ilha, e todos a nosso redor são
tantas outras ilhas (entenda-se ilhas por individualidade, isolamento
psicológico). Ora, não entende? Como um só corpo agimos no meio social;
pensamos, vivemos, nos relacionamos. Todavia, quantas duvidas já não nos
exploraram? Logo, somos ilhas ao mesmo tempo desejando ser continente, apenas
por medo de sermos o que somos, ilhas.
Contudo, gostaria de deixar claro algo do qual gerará
contradição em minhas palavras. Digo que a religião teve um excelente papel
social para a humanidade; lutando pela restauração da paz, o equilíbrio da vida
e a equidade dos povos. Neste ponto é digna de louvor. Porém, reitero meus
pensamentos: ela, a religião, desempenhou um excelente “papel”; de fato, para
ela, tudo não se passa de um teatro, afinal, a maior provedora de guerras e
ódio por todo o mundo é ela mesma. E de modo algum o que faz é uma forma de
redimisse, apenas é um jogo, onde ela mesma fere e apresenta a cura, iludindo
sobremaneira, nós, os seres desejosos de fé.
Assim, creio eu, que a verdade cabe apenas a você,
individuo particular, encontrar em si mesmo. Porque tudo que você adora é só o
que você conhece, e sim, não é seu. A sociedade a impôs a você. Sua família,
desejosa de seus bem, o instruiu nestes caminhos a fim de seres reto e integro
de caráter. Mas tudo isto é o medo da corrupção humana, e acreditam que sua
devoção será recompensada pelos deuses. Mas bem sabemos que não é a religião
que nos aprimora como ser social, e sim, nossas experiências acerca de mundo.
Neste ponto a religião é a utopia de uma “homem moral”.
Ouça, vos clamo, e de modo algum intento obrigá-los a
meus pensamentos; antes os divido como a um pão entre famintos, por que sei que
vedes como vejo; por que bem vejo que és como sou. No fim, somos desejosos da
verdade e da fuga das correntes. Uma consciência desperta que a outros deseja
acordar.
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