quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

“COMO A TI MESMO”


Uma humanidade negociável. Uma moral corrompida. Assim caminhamos em direção a nossos dias finais. E, a julgar pelo que meus olhos permitem, não vejo redenção tão próxima. Sucumbiremos ao princípio de tudo, o NADA. E mesmo contemplando a brevidade que há na vida desfaleceremos atados a arrogância.
Porque quanta vaidade há na bondade. Quanta superioridade se esconde no bem que tentamos fazer. Por certo, no mínimo, é uma tentativa de redenção do mal que praticas, ou do bem a que se negas.
Quando fechardes os olhos, e este dia há de chegar, o que te servirá cada escudo que usaste para esconder-te de ti mesmo? De nada te servirá as máscaras morais que usas em cada segmento de tua vida. Serás órfão de pai, serás órfão de tudo. Pois serás só matéria que aduba a terra. Teus melhores sonhos neste dia, serão reduzidos ao sonho mais medíocre do mais medíocre homem. E de todo teu poder e fortuna, te sobrará apenas um buraco no  chão, e olhe lá se isto to derem.
Por que, então, não viver o hoje como o dia mais precioso de nossas vidas? Por que não valorizar a sensação de sentidos que a nós nos é facultado? Para que querer ser maior ou melhor, igual ou diferente, se podemos ao abrir dos olhos sermos nós mesmos?
Seja você, o quanto puder, todos os dias; e se alimente do desejo de explorar este lugar convencionalmente chamado mundo. Porque nalgum momento irás partir. E donde vais, nada se sabe; nada se conhece; tudo se teme, se é que há algo além da interpretação da morte.
Contudo, nosso orgulho continua maior que nossa visão e continuamente nos aprimoramos e ser piores que o que demonstramos ser. A nossa natureza é má, nossas necessidades superam o devido amor.
“Enfim, quando olho além de mim, posso facilmente reconhecer todos os outros como a mim mesmo”. Pois deixo de ser, para sentir cada um deles; compartilhando cada medo, curiosidade, temores; participando deles, sabendo que são tudo que sou. E, embora, estejamos destinados ao mal e ao fim, ainda podemos partilhar do bom e terno sentir.
O que é o homem sem outro que o permita reconhecer-se como tal? “Na vida, nossas espécies são os espelhos mais bem projetados que podemos ter”. E partindo da ideia que o outro, nada mais é que uma projeção de mim, posso, assim, viver melhor. Pois farei o que estiver a meu alcance por sua preservação; claro que pensando ser a nossa própria, ou não?

Assim definido, poderá nascer uma esperança real, não para o fim, mas para o inicio de um mundo melhor. Porque, meu irmão, em nada me interessa a morte. O que me prende toda atenção é só e somente a vida e todo seu espetáculo de egoísmo. E viver é a única verdade que me resta.

Que possamos, assim, abandonar todo vitupério que carregamos. E que paremos de vender nossos valores, para que uma árvore cresça e frutifique na porção de terra que escolhermos adubar.

APRENDIZES DA RELIGIÃO


Ó pobres e infelizes homens, que tão cedo aprendem que a culpa é saída e que remorso os isenta de toda e qualquer dor. Que olha o mundo acreditando de fato poder enxergar. Por que tendes a aceitar que no oculto te redimes? Sois, ai, menos criminoso de consciência?  De que o oculto te esconde senão só de ti mesmo? Me dizes: - e não seria suficiente?
O que é moral meu caro leitor? O que é certo? Seria este um texto baseado só em perguntas ou as respostas já estão ai?
Tenho para mim que existe certo prazer, não no errar, digo moralmente falando, mas, no culpar-se. E a ideia de um deus misericordioso se encaixa como forma perfeita, pois, nele, tudo é remissão.

Ta ai o prazer do pedir perdão; do voltar ao “primeiro amor”; do ser, enfim, aprendizes da religião.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

" O SISTEMA"

Eu vejo a corrupção acolhida como um sistema de governo. Ideais vendidos. Fanatismo promovido em todas suas formas. Homens que manipulam resultados, que burlam regras e lutam em nome do "poder pelo poder". Vejo uma sociedade desmoralizada, corrompida. Ao mesmo que percebo timidamente (não suficiente) a revolta ascendente de uma parcela ínfima da sociedade. Contudo, esses homens que carregam o estado em suas costas não sabem se organizar na luta por seus projetos. "SÃO HOMENS DE VONTADE, MAS NÃO DE FORÇA". São guerreiros numa batalha já decidida. O que podem fazer? 
Eis ai, o que podem não fazem, e o que fazem, quando fazem, o fazem da maneira errada.
Toda forma de domínio articulada e posta em prática atualmente é baseada na subserviência do homem sobre o homem. Aquele que goza de posição de maior destaque social e financeiro articula/manipula toda parcela restante.
Nós, como servos obedientes, "cordeiros" por natureza, nos entregamos a seguir os propósitos de "homens superiores". Absorvemos seus ideais e numa segregação política simplesmente lutamos irmão contra irmão. Tá ai, instaurada a divisão partidária que no fundo você nem conhece. Acolhemos como nosso tudo que não decidimos e que nem ao menos participamos da construção.
O princípio básico é que somos demasiado covardes para querermos entendê-la. Porque se a entendermos, duvido que continuemos a aceitá-la.

A miséria da ignorância

Olhe nos olhos deste faminto morimbundo que caminha cá descalço neste sol castigante do verão; você verá que ali há dor escondida. E saberá que o culpado também é você. Somos culpados da desgraça que acomete nossos irmãos, se não em todo, em parte, então. Somos culpados pelo bem que deixamos de fazer. Ora, não temos a obrigação de resolvermos os problemas do mundo. Claro que não. Mas, se a um único homem tirardes dele a fome e o frio já és tão grande quanto os "deuses do Olimpo". Ignoramos os desprovidos, carentes, perdidos. Porque temos medo de fazer algo; sim, o medo de fazer o bem. E, que, meu irmão, não seja por títulos, glória ou honra, apenas por amor, este tão difundido e que pregas com afinco. Perdoe-me aqui, mas a ferida é curada com remédios, não com palavras. De que me serve pregar um "deus" e ignorar a fome, percebe? Somos hipócritas lutando pela conquista de "almas" para nosso reino. É uma luta e não por amor ou em seu nome. Eu sinto asco de mim, só por saber que sou parcela deste mal que tange a humanidade. Por saber, meu caro, que o bem que poderia fazer foge de mim e o mal do qual escondo a face me é realidade contínua.
Rogo-vos, na pura razão, que lutes contra a miséria da ignorância. E que a teu parecido possas estender tuas miseráveis mãos. Porque sei que muitos não entendem, e poucos que entendem se negam. Vê?
Está a nosso alcance, isso, o bem. Porque facilmente o negamos como se não fosse esse o nosso dever?
Como um certo alguém outrora disse e delas faço minhas, as palavras: "Que a nossa religião seja fazer o bem".
Lamento do fundo desta singela alma que sejamos tão mesquinhos e medíocres a ponto de esquecermos dos nossos irmãos que por culpa ou necessidade vagueiam nas vielas sem pão. Peço perdão a vocês se vos dou agora somente palavras, porque sei que não alimentam, nem curam, mas agora é tudo que posso oferecer...
...Mas não é tudo que tenho.

Ninguém se Importa!!

Sabe de uma coisa, ninguém se importa!
Exatamente isto, ninguém da a mínima para o que você possa vir a sentir. As pessoas são fúteis, desprezíveis; é a nossa natureza, não tem como dela fugir.  E quando "fingimos" sentir algo é só por interesse nesse jogo de manipulação.
Porque, no fim, ninguém se importa.
Quão vil é a "pena", que cria no homem a falsa ideia de que está de fato preocupado com a necessidade do outro. Que "pena" sermos assim.
Quantos podem ouvir-te e dar-te conselhos? Sem dúvida muitos. E com propriedade os teus mais próximos isso o farão. Contudo, nada significa; a não ser a vaga ideia de se "importar" sendo passada. No fundo, o próprio ego remete à sua consciência que eles também têm problemas e cabe a cada qual superá-los da maneira que melhor lhes convier. Não existe verdadeiro altruísmo.
Talvez você discorde do que fora dito por acreditar que não é parte neste ou deste meio; por achar que não se enquadra nestas palavras. Mas, eu sei que você bem sabe que no fundo ninguém se importa. Você, caro leitor, é prova incontestável do que digo por que neste momento você não quer saber o quero passar, simplesmente não te importa. Ora, eu também, a final, porque me importaria?
Calma, não é o fim do mundo. Até porque você disto já sabia. O pior de tudo é você esperar mais dos outros que de si mesmo. Esperando a solidariedade e um braço estendido para se recompor; quando o mais justo a se fazer é tomar uma dose de "Narciso" e se reerguer em silêncio, sem necessitar do valor que damos a importância dos outros. Porque, caro amigo, embora eu não me importe com a sua vida, sei que ela é igual a minha; e porque, então, não compartilharmos da mesma visão?

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Háaa.... ELE NÃO É NADA!!

De fato a maior criação do homem foi deus. Nenhuma de suas mais variadas e complexas ferramentas, artefatos ou equipamentos se compara a deidade outrora criada. Entre tantas necessidades uma tomou uma forma central em nosso ser. Não me refiro ao invento fogo, roda ou qualquer tecnologia antiga ou moderna. Não, não há espaço entre elas para analogias ao advento maior. Deus, como um ser criador, surgiu da necessidade humana de fé. Em nome de esperanças deu-se o advento religião, que por hora e sempre vem consumindo toda e qualquer liberdade humana. Do desejo de ceifar boas colheitas; da ânsia de superar seus medos; dos instintos mais básicos, fome e sede, surgiu aquele que nos supriria de todas as necessidades. Adorar em troca de realização seria então apenas uma barganha clássica? Seria este o principio do comercio contemporâneo que até hoje nos circunda? Ele, o objeto de nossas mentes medíocres e inferiores até hoje se aprimora e se aperfeiçoa em todos os povos. Não os culpo, afinal, quem nunca levantou nalgum momento os olhos aos céus em busca de respostas e até socorro? Poucos, ou mesmo nenhum homem, e aqui incluo os mais céticos. Todos nós nalgum momento tivemos o momento de fé naquilo que não se vê. É sem duvida um abrigo que nos acalenta na dor. Contudo, não devemos permanecer escravos da nossa própria criação. Nós o geramos; o concebemos e o santificamos em todas as raízes históricas e civilizações já existentes. Somos a massa crédula remanescentes dos nossos antepassados. O deus religioso contemporâneo que hoje acreditas é uma estrutura social. Sim, ele nos é dado geração a geração. Desde o principio de sua criação o recebemos de braços abertos, pois nele temos a sensação de reconforto e nos sentimos isentos da culpa dos nossos erros morais. Um deus cultural a nós é dado continuamente e cegamente. Pergunto-me ao mesmo que me respondo: devo crer que algum ser primeiro nos deu o fôlego chamado vida? Ora, neste ponto há muitos problemas a ser esclarecido e debatido. Mas, em parte, de antemão, ouso tal resposta: não acredito que de fato haja um ser que possa receber este mérito de deidade, ao mesmo que, tudo em sua forma, e aqui me refiro a existência propriamente dita, teve em si um estopim inicial, não como a obra da criação de alguém, e sim, uma evolução natural da própria existência. Sendo assim, uma combinação de tudo que há ante o caos do qual viemos.  E vejo que definir-se hoje como cristão, budista, judeu ou qualquer outra denominação preexistente é apenas uma maneira de definir-se como ser social. Uma maneira de integrar-se a um meio outrora forjado; um modo de interação e até mesmo de identificação. Vê? Não tem nada a ver com deus. Não. É apenas o modo como você o quer interpretar. De como você acha conveniente entender. Mas bem sabemos que não parte do principio deus. Ele, agora, é simplesmente seu amuleto da sorte, do qual pode contar sempre que precisar e “buum” acontece, ou simplesmente você aceita que tudo é como ele quer.  É um meio de superar suas frustrações, ou não?  Quando você acredita que sua vida está nas mãos dele e que tudo é da maneira que ele escolhe, não há tantos motivos para aceitar seus fracassos. Deus torna-se então um vicio assim como o álcool, as drogas, a pornografia... Torna-se o seu vicio. Sua fonte inesgotada de prazer e remissão. Você o quer a todo momento, o deseja de toda sua mente; afinal, pra que carregar a própria “cruz” se alguém o pode fazer isso melhor que você e por você? Por que se culpar se alguém já o isentou de seu pecado? Tá ai, o seu vício. És, então, escravo de ti mesmo. Nós quem damos força aos símbolos. Nós quem os personificamos e deles fazemos grandes representações. Deus é do tamanho dos nossos pensamentos e nada mais. Se quisermos nos render a ideia de que ele é maior que nós, então ele será. Se entendermos que não o é, o efeito será o mesmo, ele não será. Ele depende que o alimentemos com fé para que possa sobreviver por mais uma geração e outra.  Não somos dependentes dele em nossa caminhada, porque simplesmente não há deus. Quão duras e difíceis palavras são estas a digerir, entretanto, não vos escrevo para o mal, antes vos falo para a concepção da verdade, e aqui deixo claro entender, da minha verdade. Pois entendo, na minha mediocridade, que é como a vossa, que a verdade liberta. Pode isto até soar clichê e cristão, todavia, o próprio cristianismo se usa destas máximas para se aproveitar de suas fraquezas e fazer com que te curves aos textos dos homens e ao deus das religiões.  Já eu, não quero que te curves a nada. Só há um caminho, a verdade, não cristo. Só há um deus, se assim o preferes, a verdade. Não Alá. Uma coisa vos rogo, e tal coisa é que largues o que não apalpas em tuas ínfimas mãos. Que abandones aquilo que não possa ser testado e comprovado. Que não acredites apenas no que te ensinaram, te disseram, te instruíram, te guiaram. Sejas tu teu próprio guia.  Que não uses o nome da fé para te apoiar nesta empreitada. Que não sejas demasiado covarde a ponto de render-se ao “eu acho”. Que não te cegues com o pão que te foi posto à mesa. Disto não tenho duvida, de que se tens o desejo de alcançar a verdade precisas primeiro ver com teus próprios olhos e convencer-se de que és tu o próprio deus e nada mais há além. Precisas acreditar no que escolhestes acreditar, caso contrário tua mente te trairá e serás como um abismo. Acredite nas suas certezas. E, referente ao deus tradicional, tu o destes a força que ele hoje tem, e graças a ti tantas guerras em nome dele são continuamente travadas. Devido a teu cego amor guiastes homens bons à morte e à tragédia sem fim. Que sejas, agora, tu, então, o caminho a ser descoberto. Toma o poder que noutro tempo destes. Que teu deus seja a verdade e que tua religião seja fazer o bem. Lembra-te, deus é quem precisa de ti para ser deus. Te dirão que não. Que a loucura te acometeu. Que estás incomensuravelmente errado. Mas hoje bem sabes que nós o fizemos de guia toda nossa vida a fim de encontrarmos algum sentido para tudo aquilo que não pode ser provado. Só queríamos um sentido para a vida. E deus foi a chave. Mas não precisamos mais de um guia criado por nossos medos e desejos. Enfim, ele não é nada mais que tua falha; ele não é nada.

 *neste texto expresso uma visão referente ao deus religioso, em nada interferindo no meu particular entendimento daquilo que vem a ser principio deus, como exposto em textos anteriores.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Pensamentos transcritos



O universo complexo em sua grandeza, perfeito em suas formas, simples em se doar a humanidade, é imperceptível, no que se refere a sua magnitude, aos olhos humanos. Vemos aquilo que podemos captar e nada mais. Se vemos nuvens ou árvores, ou ainda se percebemos a vida em seu ciclo contínuo, é apenas uma parcela da realidade que nos cerca. Não que o que vemos não exista, de modo algum, para nós é real e palpável. Mas refiro-me a nossa forma de percepção. As coisas não são só o que vemos. Entendo que o universo em sua estrutura macroscópica só se apresenta de uma forma que possamos compreendê-lo. Nossos sentidos captam as experiências do mundo e nós absorvemos como verdades para nossas vidas. Sim, é preciso que possamos aceitar tais realidades para poder nos situarmos neste plano.
Não se pode descrever algo que não sabemos o que é. E justamente por motivos como estes que precisamos nos situar neste globo terrestre de alguma maneira. E utilizamos para tal, uma expressão da realidade. Uma interpretação generalizada da verdade literal daquilo que realmente é. Para termos a consciência de mundo faz-se preciso entender mundo, em seu conceito. Todavia, mundo não é simplesmente aquilo que a física descreve ou aquilo que você pondera ou idealiza. É algo maior, extremamente complexo, indescritível, uma tradução ou analogia ao próprio Deus. Portanto percebemos aquilo que nossa capacidade nos permite conhecer.
O universo é guiado por uma força e milimetricamente simétrico, perfeito em suas formas. Pode-se compreendê-lo como um caos. Ou como um equilíbrio. E ambas interpretações nos levam a crer que é regido como em uma orquestra. Ele tem um início, um objetivo, um caminho a ser seguido nos séculos e pela história, embora não possamos chegar a tal magnitude. O Deus a que me refiro, não precisamente é o mesmo que jaz é conhecido pelas tradições religiosas, refiro-me a uma força que impulsiona o movimento da vida. O deus vida. Que se pode entender como o deus tradicional das escolas cristãs. Embora venha a divergir em muitos de seus aspectos.
A mente humana não esta ligada a nenhuma outra mente humana, mas a si mesma, a seu mundo interno, ao mundo dos sonhos. O sonho é uma expressão dos desejos da mente, como da alma. É um reflexo da vontade racional, assim como também reflete a vontade independente de seu desejo, a da alma. No mundo dos sonhos aprendemos e fixamos conhecimento já aprendido. Quando digo aprendemos, quero expressar a fixação do conhecimento externo introduzindo por processos de experiência ou observação.
Não temos o conhecimento tácito. E sim somos um processo de aprendizado. A folha em branco do qual Aristóteles se referia. Aprendemos por observar o mundo a nosso redor. Aprendemos por experiência dos sensores humanos, os sentidos. Somos preenchidos a cada dia, e vamos nos moldando a cada passo dado. Somos formatados com ideias já criadas, concebidas e praticamente proibidos de pensar por nós mesmos. Por tal motivo, é que precisamos nos libertar da opressão da imposição do saber. Não devemos ser escravos do conhecimento alheio. Devemos pensar e criar nosso próprio caminho. Ser escravo, nem de nós mesmos. Esta é uma absoluta no qual expresso meus pensamentos. Refletir o mundo a nosso redor, e já que ele embora absoluto, mas se demonstre da maneira que podemos ver, e entender por nós mesmo. Mesmo que caminhar com nossas pernas indique percas, transtornos, e outros tantos males que tenho por certo, são superados em bens, devemos continuar a trilhar este processo da busca.
Aquilo que se demonstra para nós, entendo, é apenas uma projeção, uma sombra de um mundo completo. Sim, vemos suas sombras, suas projeções estampadas em nossos olhos. Visto que não conseguimos ver de fato o que é. Tudo, tomo a liberdade de expressar desta maneira, é um conjunto complexo de pixels formando tudo o que há. Talvez diga, não seriam átomos? Por certo seriam átomos. E isso qualquer leigo assim como eu já sabe. O que poucos conseguem ver é essa formação daquilo que chamamos de visão e que nossos olhos respondem como formas e nosso cérebro o interpreta para que nos situemos. Mas exatamente tudo são montagens da verdadeira realidade. Platão dizia que o que vemos são sombras da verdade, e deste ponto de vista compartilho tal entendimento. A verdade ela é relativa, pois aquilo que vejo interpreto ou posso interpretar de diversas maneiras diferentes, dando-me um leque vasto de possibilidades.

As nossas emoções são ilusões? De fato sim e não. Defino essa dualidade como sendo um processo de percepção. Veja: sabemos que existimos porque pensamos, assim como definiu Descartes, penso, logo existo. A nossa consciência nos revela que estamos aqui, embora tudo possa ser apenas uma ilusão, e nada realmente seja físico. Mas, entendo que o processo dos sentimentos está intimamente ligado a cada pensador. Se você sente paixão, então ela é a maior expressão de que você esta consciente da sua paixão, logo é real. Por outro lado meus caros, se nada é real, se a verdade é relativa, se o mundo que vivemos é o das sombras e projeções, a nossa paixão que antes era real, agora é apenas sensação de paixão, já que paixão não pode existir. Mas a paixão não seria então sensação? E sensação existe. Por que então ela é menos real que a sensação? A mente humana nos permite sentir as sensações, e se tudo que existe no mundo for sensação então todos sentimentos simplesmente não existem, a única forma que podemos expressar seria a sensação de que tudo é real. Inclusive a sensação poderia ser uma ilusão do seu pensamento. Isso caracterizaria na não existência de tudo, pois se sensação não mais existe e é ilusão da mente, a mente também não deveria existir, logo não teríamos a certeza da existência e nunca saberíamos quem somos, ou questões como estas.

O que é preciso?



O que é preciso para me tornar um pensador? Questiono-me se é possível, ainda, sermos seres independentes dos outros seres que antes já pensaram por nós. Pois é notório o ponto da degradação humana no que se refere à liberdade de si. Contudo, mesmo diante desta era tépida e ao mesmo tempo tão inovadora, me recuso a aceitar por aceitar. Que beneficio me traria a não ser limitar-me ainda mais? Bendito advento tecnológico que trouxe inúmeras facilidades e descobertas continuas a esta geração. Todavia ouso dizer, ó, maldito advento que nos posicionou por detrás de todas suas contradições. Porque hoje somos expectativas daquilo que possa vir; deixando de ser ação e pensamento na própria evolução. Como pode toda uma espécie  render-se tão passivamente a esta autoridade tecnológica que mais toma do que nos oferece. Não me venham falar de seus grandes feitos por nós, por que qual benção herdamos que seja verdadeira? Nosso anseio foi o progresso, alcançamos apenas a ligeira impressão de tê-lo alcançado. O que de fato nos sobrou foi a perda dos reais sentidos e retrocesso de nossa glória maior, o pensar. Hoje, poucos pensam em nome de muitos.
Quanto a nós, servos deste destino que criamos, que poderemos fazer para ao menos, mesmo que não nos renda um Nobel, nos readaptarmos a este tempo e não permitir que o comodismo se nos aposse?
Sinto-me imperfeito, pois sei que nada que eu acredito seja de fato meu. Ao mesmo tempo em que me sinto incompleto por não ter aberto à minha mente todas as possibilidades que outrora se fez presente.
A que ponto chegamos irmãos? Até que ponto ainda chegaremos? É lamentável observar a incomensurável apatia deste século. Vejo ante meus passos a projeção de um futuro decrépito; resta, ainda, duvidas? Quantas noites perdidas em redes sociais, com amigos virtuais, que no fundo nem são tão virtuosos quanto demonstram. Quantos anos no conforto de nosso lar, absorvendo o modo de viver do sonho americano, ou apreciando em nossas telenovelas os maiores vitupérios que um ser imoral poderia alcançar. O que o que dizer ainda, das partidas de futebol, que nos rouba tempo e trabalho, apenas para na nossa mediocridade nos sentirmos fiéis a algo?
E os pensadores, onde estão que não os vejo. Por onde caminham que não nos é permitido tocá-los ou mesmo conhecê-los. Neste ponto torno à pergunta inicial, o que  é preciso para me tornar um pensador? Teria que abandonar todos os prazeres para tal feito? Deveria abdicar dos desejos mais impróprios que meu ego anseia? Qual percurso devo seguir para ser um pensador?
Amados, nesta busca,  assim como em todas, há de haver obstáculos, nem tudo são flores. Você há de se machucar; irá machucar alguém também, inevitável. Será doloroso, entretanto, virtuoso. Esta é uma busca compartilhada, porque sua recompensa será a liberdade, isso mesmo, àquela liberdade do qual sempre idealizastes. Sereis livres, pois pensarás por si só; serás então “pensador”, pois o mundo já não caberá nas tuas próprias descobertas.
Eu sei o que é preciso? Respondo a mim mesmo com toda convicção que a minha liberdade proporciona: nem tanto; mas sei que é preciso!
Tal justificativa resume-se em si. Não como um cego desejo, mas sim, como uma necessidade. Por que bem sei que nem todos podem seguir por apenas um único caminho. Também não existe uma receita para este sucesso. Todavia, minhas reais convicções levam-me a crer que no momento em que puramente decidirmos ir a seu encontro (do que é preciso), então, ele já será parte de nós, esperando apenas que o desbastemos, com uma sutil diferença, de dentro para fora.

É preciso, portanto, a coragem dos jovens e a sabedoria dos nossos mestres. É preciso a ousadia da adolescência, da inocência pueril e da maturidade do homem responsável. Assim, não importará onde estávamos ou o quão estagnados estivemos, será uma porta, um caminho sendo aberto, será o primeiro passo do amor a si mesmo. Não desprezeis o conhecimento, antes, agarra-o e usa-o a teu beneficio e da humanidade. Entrega-te ao mundo, tenhas um novo mundo em si.

DIÁLOGO


1 = minhas dúvidas
W = minhas certezas

1        1-    Você acredita na existência de um deus?
w-  Se eu negasse tal possibilidade, negaria minha própria condição de “ser”.
1        1-    Quem, então, é o deus que depositas fé?
w- Não diria “depositas fé”, contudo, o ser criador, para mim, não cabe nas palavras que profiro, tão pouco nas escrituras dum livro. O definiria como a força que move o cosmos.
1        1-    O que quer dizer “não cabe nas minhas palavras”?
w-  Ora, que criador seria este se eu pudesse defini-lo por algumas características ou formas? Dizer que ele é bom, justo, etc., é uma forma de minimizá-lo ao que dizemos dele. Tê-lo definido na bíblia, no alcorão ou noutro livro é vituperar sua grandeza.
1        1-    Você acredita que Jesus é o filho de deus?
w- Não.
1        1-    Poderia nos conceituar tal resposta?!
w- Perfeitamente. O motivo de tal sucintez é que tal resposta encontra-se dita a cima. O que quero dizer é que, um homem proclamou-se o filho e o próprio deus, e isto é totalmente utópico. Deus jamais tomaria uma forma, ele é tudo que existe, que sentimos e alem do que podemos compreender, mas de modo algum ele é um ser sentado no trono, que por hora decide descer, ou melhor, enviar seu filho para a terra. Me desculpe, mas que deus medíocre esse, não?
1        1-    Bem, gostaria de entender pouco mais sobre sua visão do que vem ser deus.
w- Pois então compartilho convosco. Veja, sempre que enxergo a meu redor vejo vida em tudo. Sinto nisto a grandeza de toda criação, e até o mais ínfimo dos elementos que nos circundam inspiram deus. Se você me pergunta, que é deus, direi: é o ar que agora respiro, é o sol que nos aquece, é a lua. É a treva também, tanto quanto a luz. É o vazio, o silencio, a brevidade da vida. É a dor, a esperança. Percebe, ele é tudo que somos, que podemos compreender e mais alem. Nós só compreendemos o mundo porque o sentimos e isto já o é deus. Como poderia querer personificar esta grandeza que fala por si só? Não existe conceito ou definição alguma, pois ele não é um ser. É tudo, e somos parte deste deus e não como filhos. Somos, repito, parte deste deus.
1        1-    Você não tem medo de estar errado?
w- Medo maior teria de viver sendo escravo de mim mesmo.
1        1-    O que você espera encontrar nesta empreitada?
w- Nada menos que a verdade. Encontrar a mim mesmo também. Não desejo respostas, pois bem sei que qualquer resposta seria tão utópica como as que jazem por ai. Espero poder trilhar sobre questões; desejo sempre duvidar dos fatos, almejo cada dia ser mais incrédulo da ciência e da fé, e anseio do âmago de meu ser, ser livre por todos os pensamentos, sem me ater a fanatismos ou preconceitos.
1        1-    Qual mensagem gostaria de deixar aos leitores?
w-  Não existe uma verdade absoluta. Não crer também exige fé. E ambos levam-nos à fanática ilusão da verdade. Não somos possuidores dela, embora com convicção a defendamos; contudo, acreditamos que o homem deve procurar o sentido de sua existência e no mínimo saber o porquê de suas escolhas.

Prepotência da fé


 Se observarmos atentamente na virtude cristã ou de modo holístico na moral religiosa, poderemos apreciar uma inenarrável arrogância de caráter. Afinal, nestes meios espiritualizados somos servos dos melhores mestres e por tal somos os discípulos escrupulosos.  A conclusão que obtém de tal preponderância é que toda forma de fé é alienação e sedução de poder. Todos desejam superar-se  para serem melhores, alcançar o nirvana de seus espíritos e ascender a novas posições a que se dispõem para com seus deuses. Quanto orgulho a na fé, na convicção do caminho moral, nos céus.
Imagine quando chegar o apocalipse bíblico, se chegar e apenas suponho a existência de tal possibilidade didaticamente; este dia será o dia de maior falha de caráter de todo e qualquer seguidor destes princípios. Haverá tamanha altivez subindo a seus corações que ousarão dizer: EU AVISEI.
Quanta ironia do destino, não?
Sem duvida esta será a sensação que os acometerá no juízo final, a de que recebemos o justo pela nossa falha ou falta de fé. Ai, ai, como me condeno por ter acreditado na mesma fé outrora. Mas não me considero tolo, afinal, como poderia falar de coisas das quais não conheço?!
Se existe um abismo na humanidade, este deu-se nos homens primeiros, que não sabendo guiar-se  a si próprios procuraram razões da existência noutros seres, noutro plano do qual apenas pode-se supor que exista.
Quanta moral imunda, quantos dogmas...  Estamos numa ilha, e todos a nosso redor são tantas outras ilhas (entenda-se ilhas por individualidade, isolamento psicológico). Ora, não entende? Como um só corpo agimos no meio social; pensamos, vivemos, nos relacionamos. Todavia, quantas duvidas já não nos exploraram? Logo, somos ilhas ao mesmo tempo desejando ser continente, apenas por medo de sermos o que somos, ilhas.
Contudo, gostaria de deixar claro algo do qual gerará contradição em minhas palavras. Digo que a religião teve um excelente papel social para a humanidade; lutando pela restauração da paz, o equilíbrio da vida e a equidade dos povos. Neste ponto é digna de louvor. Porém, reitero meus pensamentos: ela, a religião, desempenhou um excelente “papel”; de fato, para ela, tudo não se passa de um teatro, afinal, a maior provedora de guerras e ódio por todo o mundo é ela mesma. E de modo algum o que faz é uma forma de redimisse, apenas é um jogo, onde ela mesma fere e apresenta a cura, iludindo sobremaneira, nós, os seres desejosos de fé.
Assim, creio eu, que a verdade cabe apenas a você, individuo particular, encontrar em si mesmo. Porque tudo que você adora é só o que você conhece, e sim, não é seu. A sociedade a impôs a você. Sua família, desejosa de seus bem, o instruiu nestes caminhos a fim de seres reto e integro de caráter. Mas tudo isto é o medo da corrupção humana, e acreditam que sua devoção será recompensada pelos deuses. Mas bem sabemos que não é a religião que nos aprimora como ser social, e sim, nossas experiências acerca de mundo. Neste ponto a religião é a utopia de uma “homem moral”.

Ouça, vos clamo, e de modo algum intento obrigá-los a meus pensamentos; antes os divido como a um pão entre famintos, por que sei que vedes como vejo; por que bem vejo que és como sou. No fim, somos desejosos da verdade e da fuga das correntes. Uma consciência desperta que a outros deseja acordar.

terça-feira, 20 de maio de 2014

A fé da verdade

Não quero viver uma verdade baseada na fé. Mas tenho a ânsia de encontrar uma fé baseada na verdade. Porque mesmo os deuses em toda sua grandeza não impõem seus pensamentos, mas sim, permitem que cada homem tenha a liberdade de lhes seguir. E como homem livre que sou, escolho uma fé como verdade, e tenho a plena consciência de que esta verdade que escolhi é relativa e não universal. Escolho ser livre, e viver aquilo que melhor me define, e com isso, escolho para mim o que mais me identifica. Pois a verdadeira fé não é uma imposição cultural da sociedade, mas uma fuga da escravidão dos sentidos. Enquanto éramos escravos de sua performance agíamos como sábios dentro de nossa ignorância.

“Ser-deus”



Vejo-me como componente da matéria criada que de algum modo veio existir. Sou parte estrutural e biológica da matéria, do universo infinito. Entendo-me hoje com o mesmo valor que existe noutro ser qualquer; como uma rocha bruta ou uma porção de vento, de tempo, de luz. E como parte integrante deste círculo devo ser grato aos outros corpos que me circundam. Veja, o sol fornece o que a planta necessita a seu desenvolvimento e ela cresce saudável, se conjuntamente acompanhada doutras dezenas de substâncias; então neste universo percebesse a ligação direta de todas as coisas. Tudo cria uma forma, toma um espaço, se coincide com outra. Tudo é sem dúvida alguma uma essência do que vem a ser “deus”. Logo, seria ousado dizer que se tudo é parte de deus e tudo unido em sincronia é deus, então, eu, humano, sou parte, logo, sou deus. Entenda, o deus a que me refiro aqui é algo além da forma usual do qual concebemos nossa fé. Ele é a energia impulsionadora da vida e de toda forma racional ou irracional, nanimada ou inanimada. É simplesmente o arquiteto que projetou; mas, não na racionalidade com finalidade pré-escrita. Não somos as sombras ou a distração de um “ser”, mas somos o “ser”, o próprio “ser”. Pois somos parte desta vida, desta energia, deste universo provável.
Entendo hoje que preciso do ar, do sol, da planta, da terra, de tudo que me circunda, para poder viver. Porque não sou uma parte isolada ou mesmo única. Sou um conjunto pertencente a este conjunto chamado universo; assim como meu corpo possui membros que são juntos o conjunto do “ser-humano”. Ser deus, por ser uma parte de deus jamais limitaria o deus em sí. Porque sabemos que tudo teve um inicio, e o próprio inicio já o é deus.
Somos racionais, e me pergunto, porquê? Por que aparentemente somos a única espécie com esta incrível forma de representação? Por que nosso cérebro cria conexões que nos permitem refletir sobre a própria reflexão? Por que pensamos? por que temos ideias? Sonhos? Por que criamos? Dominamos? E mesmo não sabendo definir ou justificar cada questão, faço questão de expor que, embora, racionais e considerados seres superiores (apenas por nós mesmos) não somos melhores que nenhuma outra criatura e nossa capacidade não nos faz superior a nenhuma outra criação. Somos, como todos bem sabem, uma espécie (homo sapiens) e a racionalidade é uma característica nossa e única.
Pense, pássaros voam. Peixes respiram dentro d’água sem equipamentos e isto define a característica de suas espécies. Posso dizer que somos agraciados por isto? De modo algum. Me recuso a ver-me superior ao vento e como antes já dito, superior a qualquer outra forma ou espécie. Sou componente da criação e carrego minhas características em cada passo rumo a morte, por que todos os caminhos parecem aos olhos finitos. Mas sei na minha convicção que o fim nunca existirá para o início. Somos os deuses por sermos parte do deus. A vida é deus. O que existe é deus. O vejam como é, sem medo de se sentirem culpado algum dia, porque a culpa é seu fracasso maior.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

ÍDOLOS


Tantos são os ídolos que, de livre vontade escolhemos adorar. Ídolos com nomes, com rostos, com formas; outros são inanimados, corpos celestes, sombras de uma vida (santos). Rendemos cultos e nosso tempo a apreciação da glória que não é nossa, e contudo só existe por nós. Ó, quanta admiração da grandiosidade. Quanto fascínio pelo belo, pelo justo, pelo sagrado, e cá entre nós, pelo profano.
Assim somos todos, mesmo os mais céticos ou incrédulos; pois ninguém caminha toda uma vida sozinho, existe sempre um ar de gratidão pronto a render-se. Todo descrente apenas crer na falta de fé, isso o faz crédulo de sua certeza. Todos temos ídolos, embora nem todos confessem ou reconheçam; mas no momento que defendemos nossas convicções e nela fielmente acreditamos, somos então nossos modelos ideais, os ídolos perfeitos de nossa existência.
Admirar o belo tem lá seu lado pueril, jovial; mas até que ponto a admiração pode ser dádiva e não escravidão? Pois bem, na sociedade contemporânea os novos ídolos tomam a vitrine dos antigos. Antes, os homens e os símbolos de honra nos cativavam. Agora, nesta era moderna adoramos as marcas, produtos e símbolos de luxuria e prazer.
nossos heróis morreram de overdose”, nossos reis (símbolo maior de uma sociedade) são jogadores de futebol, cantores, artistas. Voltamos nossa atenção à ostentação do “ter” e somos súditos da ignorância. Não valemos mais por aquilo que somos, isto ficou noutra era e mesmo mais adiante creio que não será mais contemplado.
Não precisamos de conhecimento, larguem os livros, liguem a TV. Veja, te ofereço entretenimento, em troca você abre mão do sentido real da vida”. Esta afirmativa acima apenas define o que esta explícito em nossa geração. Claro, o governo é um dos maiores interessados na criação desta mentalidade passiva, em seguida, como todos vós já sabem é o clero.
palhaços” (digo isto literalmente), nos representam no governo; logo, somos platéia de tudo que ocorre. Os pensadores contemporâneos nos trazem em suas máximas “tiro, bomba e beijo no ombro” (os que entendem entendam).
Quanta admiração pela ignorância, e não me excetuando destes a quem falo, quanto desperdício de vida. Pois os momentos possuem sua brevidade e logo se esvaem; no fim nosso tempo será insuficiente para tantos projetos que desejávamos ter alcançado. Restará culpa, dor, remorso, e fecharemos nossos olhos no último adeus e seremos, enfim um erro da vida, uma sombra esquecida, que em poucos momentos poderá ser rememorada. Nada teremos feito, nenhum legado de nós a história receberá. Tudo isto simplesmente por que abrimos mão de sermos livres. Tudo por que decidimos que adorar nossos ídolos seria mais conveniente que viver.
Queremos admiração, fama, reconhecimento, status a todo custo e em tudo que fazemos; queremos a vida do outro, e a vivemos na nossa fragilidade, na nossa ignorância. Vê? Quanta energia desperdiçada. Quanta vontade de viver manipulada por objetos,seres e coisas insignificantes.
Parem de se reduzir ao que não são. Vocês, nós, somos do tamanho de nossos sonhos. O quão grande você pode ser? Por outro lado, somos também do tamanho da nossa pequinês.
O sistema não deseja que deixemos de ser suas marionetes. Para não perderem seus inúmeros privilégios. Para não perderem seus dízimos que são pagos à parcela de nosso suor. Libertar-se destes ídolos não é fácil. É preciso antes de tudo entende-los, e assim perceber o quão obscuros podem ser seus caminhos. Viver em prol de deus ou qualquer outra ferramenta utilizada para sua manipulação é negação da própria existência, é uma rendição por crimes que você jamais cometeu. Isso é cruel.
Por tal motivo concito a vós que entendam para melhor se guiar. A  religião desgraça nosso povo; as ovelhas perfeitas que caminham submissas a um destino prometido, um galardão. Quanta maleficência com esta gente, pessoas que no fundo só queria a verdade e receberam esta “paz de espírito” que as escravizam. Mas este é outro assunto que será em breve abordado, atenhamos nossa atenção ao ídolos dos quais antes falávamos; os ídolos da mídia, os ídolos das igrejas, os ídolos da própria mente, a esses ídolos que tomam posições cada vez mais importantes em nossa jornada. Isto será um processo quase que irreversível se não nos desligarmos a tempo. Saiam das sombras da glória dos outros e vivam suas vidas na busca da verdade; parem de se alimentar com o trigo que vocês não plantaram, nem ceifaram. Encontrem respostas, façam perguntas, entendam o que devem fazer e o por que de sua existência singular; assim, mesmo ao findar de seu tempo e ao dar o último trago de ar, você saberá que valeu a pena esta caminhada e que você foi essencial a evolução e progresso desta magnífica criação, vida. Seus olhos, enfim, repousarão em paz.

ESCRAVOS DA VERDADE


    
Faço-me dúvida ao tentar ser resposta. Como se a chave (se é que se existe uma porta) de todos os tempos estivessem a nossa disposição. Alguns relatos históricos, cronologias e até artigos científicos  são nossa garantia de que existe deveras uma verdade. E desde nossos primeiros passos já somos guiados a eles. Até que alcançamos a mentalidade de que aquilo nos pertence. Hoje sabemos que apenas nos apossávamos de todas as ideias, e pelo desejo contínuo de encontrar um caminho nos rendemos a uma fé, mesmo que na ciência. É uma luz que clareia nossa forma, é uma matéria “exata” que não pode haver contradição. Morremos por ela; por ela lutamos. Esta é a convicção que há uma verdade, e se há, então me pertence. Rejeitamos outros deuses se não os que outrora nos fora apresentado em nosso nicho pueril.
Com isso queremos converter as “almas depravadas” da sociedade, oferecendo perdão e galardão: - convertam-se a meu deus, dele vem salvação. – no fim guerreamos com nossos próprios irmãos, tudo em nome de deus.
Faço-me dúvidas ao tentar ser resposta, pois acompanho com sereno olhar o percurso andado. Sou dúvida quando me vendem fé. Sou resposta quando tento vende-la, ou não é bem assim?
Percebem onde esta vossa crença e vossos valores? Não? Pois bem, está na sua cultura, na sua origem, no seu meio. Está enraizada em você, mas não por sua culpa. Ora, você não escolheu ter esta fé, simplesmente lhes impuseram em troca de sua submissão. Hoje sua liberdade está penhorada.
Digam-me que sois fieis por vossas próprias ideologias, sei bem que quereis dizer. Falem-me que escolhestes este caminho por sua própria consciência, e lhes direi: - de fato opinaste entre as opções apresentadas; entre o bem e o mal tão difundidos nestes tempos. Que abraçastes tudo que te conforta, que te dá repouso, que admiras. Por isto ouso dizer que estais ESCRAVO DA VERDADE. Por que se não houvesse opções qual seria seu caminho? Se nenhum homem houvesse pregado o que aprendestes o que sobraria de ti?
Ó doces e incompreendidos fiéis, crer por crer não é suficiente para uma vida. Mas o que é suficiente então? Me perdoe dizer, mas o suficiente seria VIVER, o que não tendes feito porque outros o fazem constantemente por ti. O suficiente seria resumido em ser livre da verdade que te deram, pois não é tua e disso o sabes, ganhastes, comprastes, mas não te pertence.
Concito a vós que se temos duas opções a seguir ( céu e inferno ) então não temos nenhuma. Encontre-se você mesmo dentro de si e siga por suas reais convicções; você é a verdade, ela não pode ser universal.
Atenha-se sempre a esta ideia de que você não a deve impor, cada um deve encontrá-la por si e em si mesmo como jaz dito.
Se vedes deste modo, não que eu tenha a razão e disto faço questão de expor, mas se vedes com seus próprios olhos sereis como a luz que resplandece.
Então não tereis medo de ser quem és, ou culpa de não ter feito tudo que queria e os anos de tua vida serão unicamente teu.
Existe verdade? Arrisco: - não da maneira convencional. Cabe a cada um de nós encontrá-la; infelizmente, outros tantos ainda preferem simplesmente aceitá-la… 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Ensaios da liberdade


Ao sentir a luz das esperanças emergindo dentro de mim, um homem que sempre foi escravo de seus próprios medos e desejos, vi-me como brasa incandescente que queima continuamente. Eram sensações absolutamente novas, surreais para um homem como eu, escravo de mim mesmo. Mas a luz emergia de trevas, das minhas próprias sombras, as que eu cultivei por medo, e por tradições.
Um cidadão comum, com segredos, mistérios, e desejos, assim eu o era. Tomado por fé inabalável nas crenças e ritos aprendidos ao longo de minha trajetória. Seguidor do deus que os homens criaram para satisfazer suas terríveis ambições. Sim, eu lutei em nome de deus, as guerras mais “santas”. Purifiquei meu coração para adentrar nos ensinamentos sagrados ante a luz da verdade. Só não percebi que a verdade que me davam a alimentar-me não era minha, e sim uma verdade criada a bel prazer em nome do que é sagrado.
Sacrifiquei meus anos em nome das causas, todavia, aos poucos meus olhos tentavam enxergar o que jazia além. Em segredo minha alma relutava a aceitar todas as coisas propostas, e no absoluto sigilo escondendo-me dos olhares opressores tentava eu encontrar a face das coisas. A verdade não revelada, os mistérios escondidos, os fatos omitidos, essa era minha pretensão a galgar. Mas como fazer isto sem que fosse tomado por louco em uma sociedade passiva em seus dogmas?
Fui me abrindo, como pegadas se abrem na caminhada ante a areia do mar. Procurando ver as contradições de sua própria fé, e por que não dizer da minha própria fé. Mas tenho a convicção de que posso conhecer o deus com meus próprios olhos, e senti-lo como meus braços sem a ajuda de intermediário algum.
O criador do universo não está sentado vendo nossas almas se arrastarem na imundície de nossas ambições como uma plateia que assiste seu evento preferido. O deus que fundou os firmamentos não está parado nos céus na ociosidade dos homens. Não, de modo algum, pois um deus que prefere ser um admirador das virtudes e das luxurias não pode ser de fato um deus. Mas se existe um ser que rege as forças intrínsecas do universo, com certeza ela está no próprio ar, no próprio alimento, no próprio ser, na constante evolução e mutação dos homens. Com absoluta propriedade, se um ser instaurou a vida, também instaurou a morte, logo a morte não é maldição, é dádiva, é presente celeste, é o processo contínuo de uma jornada.
Mas os homens o personificam em “achismos”.  Em imagens para o idolatrarem. E criam regras para seguir, tomando seus ensinamentos como virtudes máximas. Processam pensamentos “em nome de deus” e os ensinam como mestres do mundo. Cobram das pessoas suas almas e vendem uma fé personificada e tratada para melhor atender o seu publico. Deus virou um comércio. Sim, o Ser Maior que nossa mente não seria capaz de transcrever, se tornou algumas palavras em um texto, algumas imagens na TV, algumas cópias de manuscritos. E o nosso “redentor” simplesmente são as palavras que podemos dizer e que sabemos. Simplesmente limitamos o nosso senhor a nada, e nossa pequenez o acompanha em cada templo que para ele o construímos.
Pagamos para adorá-lo, e para muitos isto é cômico, e porque não seria? Afinal, ele precisa de um templo luxuoso, não? A constante hipocrisia da humanidade tem aclamado guerras em nome da paz. E levado sangue em nome da salvação. Grande deus o que vigia a dor lá de cima não?
Criamos demônios para justificarmos a imundície de nossa alma, porque simplesmente não conseguimos aceitar o quão podre podemos ser. Queremos um bode expiatório para depositarmos o nosso pecado, e nada melhor que demônios para isso, afinal, eles que são os espíritos maus que nos tomam e nos fazem agir de maneira diferente do habitual. Não se engane, os demônios somos nós mesmos e precisamos tomar esta consciência durante a vida, e saber que o inferno será nossa mente através das culpas e dos medos. O céu? O que seria então? Há, o céu seria a não personificação dos homens sobre deus, e sim o deus personificado nos homens.
Prestar caridade em busca de galardão? Faça-me rir. Ter uma fé esperando o dia da redenção? Faça-me rir. Seu pagamento será posto diante de vós todos os dias, pois o “reino dos céus” está em sua mente, e se você se esforça para no fim receber seu galardão você também é um hipócrita. A humanidade é escrava de anseios. É egoísta. E o bem maior que chegam a fazer, nada mais é que a tentativa de redimir seus pecados cálidos. Uma tentativa de barganhar com o Arquiteto dos Universos.
Aos poucos, aprofundando-me nos que meus olhos viam, logo vi-me como escravo de mim mesmo, e o deus que eu adorava era apenas um homem mistificado. Então, onde encontrar o deus de fato. Lamento dizer, você não o encontrará em lugar nenhum que procurar, ele não está à venda em vitrines, não está enraizado na terra e nos céus. Simplesmente não o encontrarás se o procuras, pois ele não se mede, não tem forma, cor, sabor…  Simplesmente não está aqui. Mas ele é ALFA, é OMEGA, é PRINCÍPIO e FIM. É a força impulsionadora deste ínfimo ponto desta galáxia, rodeada de milhares de outras galáxias, neste universo provável.
Nasceu uma luz dentro de mim, tive uma visão daquilo que me era vedado ver, o mundo. Eis que os deuses que nos cercam alimentam apenas o nosso ego, e o manipulamos, sejam eles considerados anjos, deuses ou demônios. Simplesmente manipulamos à nosso prazer. Hoje meus próprios olhos me guiam para esta realidade que não é absoluta, e sim apenas mais uma visão entre outras zilhões. Mas já posso respirar tranquilo sem o medo de parecer mais um louco que esqueceu de deus. Porque eu sei, na minha razão e no meu coração que o encontrei de verdade, onde deveria estar. E perdoem-me, mas a liberdade que sinto hoje, me projeta a viver como um ser melhor a cada segundo, não na esperança de um galardão futuro, mas sim nas esperança de encontrar o meu próprio céu. E por certo, se é por justiça que caminhas e em nome da liberdade de tua gente, praticando o amor, o deuses não te abandonarão.

Moralidade, erro fatal


E de repente um medo se apresentou por entre minhas convicções. Talvez eu estivesse errado todo tempo e ceguei-me com as ilusões que projetei em minha mente. Surgiam reflexos, traços, marcas de um passado não muito distante. Eu teria abandonado de fato uma fé? Todavia, acalmei-me, respirei bem fundo e olhei nos olhos de meu algoz. Fazendo isto relaxei a tensa confissão de um fracasso, e novamente reestabeleci minhas afirmativas. De fato a tenacidade que carrego é real, entretanto existem culpas e remorsos que são difíceis de serem dissipados. Crer é muito fácil, mas deixar uma fé tem sua ponta de astúcia luciferal. Adotei um novo sistema de entendimento e hoje a verdade que escolhi seguir diverge daquela que meus pais me instruíram outrora. E esta aceitação não é fácil para o contemplador e muito menos para mim. Resignar-me de dogmas e preceitos jaz concebido é algo complexo e necessário, por que enquanto caminharmos em direção à moralidade estaremos como homens de rebanho (como expressa Nietzsche) seguindo a um abismo perpétuo. Ora, a própria moral moderna já nos é imoralidade e a justiça do qual nos orgulhamos é um sistema típico de domínio dos homens poderosos sobre a casta servil. E esta vivissecção de meu pensar fez resignar-me de qualquer indício de temor por existir a possibilidades de que eu estivesse a caminhar na direção oposta da vida apresentada; simplesmente por que decidi ver com meus olhos e sentir, não da maneira “rebanho” e sim da maneira física e concreta.
Ó, algozes de minhas ideologias, até quando sereis ignóbeis por não se abrirem às possibilidades que se apresentam a vós? Não vedes que a verdade que segues é baseada na fé? E desde quando o absolutismo vos pertence? Enfim, eu estarei em busca incessante, mas desta vez não tenho em mente desejo de encontrar respostas que me satisfaçam e me deem tranquilidade para enfim repousar. O que farei é que buscarei em todas as portas e testarei cada teoria. Não desejo iludir-me com nenhuma resposta, mas estarei em cada questão. Porque o mundo caminha em sua relatividade e suas “verdades” morais de geração em geração são trocadas. E os pais ensinam os filhos que é errado resistir a aceitar, e que eles precisam a todo custo serem servos e se submeter ao “sim senhor”, “não senhor” todo tempo.
Filhos de suas mães, é hora de vedes com os próprios olhos por que nunca o fizeste. Sempre precisaste de ajuda para viver, respirar, e até o amor que segues ( e refiro-me a todos os amores) é algo que não é teu. É algo dado pela sociedade. E garanto-vos uma certeza, sereis considerados como loucos, rebeldes, “endemoninhados”, mas sereis enfim como homens livres, porque simplesmente não se permite aceitar, agora será dono de si mesmo. E em cada caminhada tropeçareis e haverá medo e duvidas quanto à escolha que seguiste, e podereis desejar voltar, afinal será muito mais cômodo não conhecer além daquilo que já sabemos. Será muito mais confortável viver às sombras dos nossos senhores, e eles hão de nos confortar e nos receber de braços abertos como o filho pródigo. Mas não desanimeis, pois sua busca será recompensada com o que podereis ver, um mundo sem igual. Sem mácula, sem muito e ao mesmo tempo com muito mistério, mas desta vez, fundamentado em algo concreto além dos “achismos” ao qual somos entregues diariamente.
Meus irmãos, a verdade está além de nossa visão. E não existe algo que garanta que você irá encontrar. Mas a busca será sem dúvida alguma seu maior prêmio. Tenha certeza do que você quer e siga, mas cuidado para simplesmente não aceitar uma verdade por ser mais cômoda e confortável. Teste-a, discuta-a, atenha-se a suas nuanças e revele ao mundo o fruto da sua liberdade.

CONTRASSENSO DA IDEIA MORAL

                      

Deixemos de lado tal arrogância de pensar que somos melhores que nossos antepassados simplesmente por termos aprimorado nosso senso do que é “moral”. Hoje somos autossuficientes em produzir por nós mesmos a arrogância do pensar “ser superior”. Somos mestres da justiça que nos satisfaz. E o que é justo é só e somente o que é bom, diante de uma ótica moral, para toda sociedade.
 -        Claro que a pena de morte instituída noutros países que não o Brasil é totalmente legal e “justa”.  - Ora, eis ai tal prova da perversão de nossos sentidos. A liberdade que temos em denominar o certo do errado, tanto quanto o justo do injusto é guiada pela necessidade de se produzir distinção de toda e qualquer diferença dos juízos que projetamos como rédeas a serem seguidas.
Não somos hoje melhores que os homens de outrora. Embora o tenhamos como seres em “produção e aprimoramento”, e por que não dizer de alguns, “fúteis e desprezíveis”.
Sente que estamos confinados no preconceito  da justiça? Sim, preconceito  da justiça! (Que por hora e para esta geração pode não ser tão ruim, todavia, sua hereditariedade marcará desastrosamente gerações e sociedades). Nós condenamos o sangue de nosso sangue se praticam ato contra a lei dos homens.
Entenda-se por preconceito de justiça nosso senso do que é moral e imoral. Veja: - Se  condenamos os escravocratas ou mesmo os nazistas, estamos agindo diante de um processo próprio, pessoal e íntimo dos nossos sentidos. É um preconceito por assim dizer que estamos certos e os mesmos errados. Quantos no decurso da história não apoiaram os mesmos pensamentos que hoje são condenados pela “moral superior” que nossa geração adquiriu?
Atenha-se a interpretação exata do que digo, e não vagueie nas possibilidades que por traz das entrelinhas poderiam estar  implícitas, pois sou claro convosco e vos lhes mostro  a face de nossas crenças de maneira literal e não simbólica. O que quero de fato que seja entendido jaz escrito ou você não vê? Ora, se não vê, talvez seja já o preconceito de seu senso de justiça superior tentando rejeitar toda e qualquer ideia que se apresente e que seja contra as que você as têm.
Nestas palavras de modo algum justifico o que tais homens de nossa histórica humanidade tenham feito. Não apoio o ódio, o racismo, o sentimento de superioridade moral ou a intolerância de qualquer setor social, político ou religioso; sabendo que isto já o é meu senso de moral superior em ação. Pois este senso é automático e vital à razão humana; é guia para o progresso, e embora sua “evo involução” seja a marca de sociedades cada vez mais morais e injustas no sentido de libertar o homem. No fim somos todos prisioneiros de nossos sentidos. E mesmo isto já o é contraditório em si. Porque se o classifico, logo, o julgo; e se o julgo, foi a minha moral que é contra sua lógica demonstrada; portanto fui guiado a meus instintos inferiores que permitem ver-me superior ao julgado inferior. Sou eu mesmo a condicionante do justo e injusto, a controvérsia perfeita da demonstração das minhas palavras. Não sou maior ou melhor que qualquer um de vós, simplesmente sou a mesma loucura e contradição que vives e és.
Abolir a justiça moral seria a cura para uma sociedade verdadeira? De modo algum; somos o erro necessário do progresso que vivemos e sem este erro voltaríamos aos paus e pedras.
Porque então nos escreve tais coisas, se de nada nos servirá? Ora, ora, meus irmãos, não seria egoísmo de minha parte se não tivesse a coragem de dizer o quanto covardes somos desde as mais remotas gerações? Precisamos entender que não somos de maneira nenhuma superiores as ideias que não nos pertence. Pela nossa moral social adquirida somos contra muitas outras, mas no fim saibamos que as outras são tão naturais e puras em sua origem quanto a vida.
Vivamos então na liberdade do respeito e na apreciação do contra sentido. Afinal, o sentido da vida não é único ou absoluto, mas um deles é entender quem somos, o que somos e o que queremos. E perceber-se neste meio como um igual-diferente é tão precioso quanto o viver. Entende?