Deixemos de lado tal arrogância de pensar que somos melhores que nossos antepassados simplesmente por termos aprimorado nosso senso do que é “moral”. Hoje somos autossuficientes em produzir por nós mesmos a arrogância do pensar “ser superior”. Somos mestres da justiça que nos satisfaz. E o que é justo é só e somente o que é bom, diante de uma ótica moral, para toda sociedade.
- Claro que a pena de morte instituída noutros países que não o Brasil é totalmente legal e “justa”. - Ora, eis ai tal prova da perversão de nossos sentidos. A liberdade que temos em denominar o certo do errado, tanto quanto o justo do injusto é guiada pela necessidade de se produzir distinção de toda e qualquer diferença dos juízos que projetamos como rédeas a serem seguidas.
Não somos hoje melhores que os homens de outrora. Embora o tenhamos como seres em “produção e aprimoramento”, e por que não dizer de alguns, “fúteis e desprezíveis”.
Sente que estamos confinados no preconceito da justiça? Sim, preconceito da justiça! (Que por hora e para esta geração pode não ser tão ruim, todavia, sua hereditariedade marcará desastrosamente gerações e sociedades). Nós condenamos o sangue de nosso sangue se praticam ato contra a lei dos homens.
Entenda-se por preconceito de justiça nosso senso do que é moral e imoral. Veja: - Se condenamos os escravocratas ou mesmo os nazistas, estamos agindo diante de um processo próprio, pessoal e íntimo dos nossos sentidos. É um preconceito por assim dizer que estamos certos e os mesmos errados. Quantos no decurso da história não apoiaram os mesmos pensamentos que hoje são condenados pela “moral superior” que nossa geração adquiriu?
Atenha-se a interpretação exata do que digo, e não vagueie nas possibilidades que por traz das entrelinhas poderiam estar implícitas, pois sou claro convosco e vos lhes mostro a face de nossas crenças de maneira literal e não simbólica. O que quero de fato que seja entendido jaz escrito ou você não vê? Ora, se não vê, talvez seja já o preconceito de seu senso de justiça superior tentando rejeitar toda e qualquer ideia que se apresente e que seja contra as que você as têm.
Nestas palavras de modo algum justifico o que tais homens de nossa histórica humanidade tenham feito. Não apoio o ódio, o racismo, o sentimento de superioridade moral ou a intolerância de qualquer setor social, político ou religioso; sabendo que isto já o é meu senso de moral superior em ação. Pois este senso é automático e vital à razão humana; é guia para o progresso, e embora sua “evo involução” seja a marca de sociedades cada vez mais morais e injustas no sentido de libertar o homem. No fim somos todos prisioneiros de nossos sentidos. E mesmo isto já o é contraditório em si. Porque se o classifico, logo, o julgo; e se o julgo, foi a minha moral que é contra sua lógica demonstrada; portanto fui guiado a meus instintos inferiores que permitem ver-me superior ao julgado inferior. Sou eu mesmo a condicionante do justo e injusto, a controvérsia perfeita da demonstração das minhas palavras. Não sou maior ou melhor que qualquer um de vós, simplesmente sou a mesma loucura e contradição que vives e és.
Abolir a justiça moral seria a cura para uma sociedade verdadeira? De modo algum; somos o erro necessário do progresso que vivemos e sem este erro voltaríamos aos paus e pedras.
Porque então nos escreve tais coisas, se de nada nos servirá? Ora, ora, meus irmãos, não seria egoísmo de minha parte se não tivesse a coragem de dizer o quanto covardes somos desde as mais remotas gerações? Precisamos entender que não somos de maneira nenhuma superiores as ideias que não nos pertence. Pela nossa moral social adquirida somos contra muitas outras, mas no fim saibamos que as outras são tão naturais e puras em sua origem quanto a vida.
Vivamos então na liberdade do respeito e na apreciação do contra sentido. Afinal, o sentido da vida não é único ou absoluto, mas um deles é entender quem somos, o que somos e o que queremos. E perceber-se neste meio como um igual-diferente é tão precioso quanto o viver. Entende?
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