quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

“COMO A TI MESMO”


Uma humanidade negociável. Uma moral corrompida. Assim caminhamos em direção a nossos dias finais. E, a julgar pelo que meus olhos permitem, não vejo redenção tão próxima. Sucumbiremos ao princípio de tudo, o NADA. E mesmo contemplando a brevidade que há na vida desfaleceremos atados a arrogância.
Porque quanta vaidade há na bondade. Quanta superioridade se esconde no bem que tentamos fazer. Por certo, no mínimo, é uma tentativa de redenção do mal que praticas, ou do bem a que se negas.
Quando fechardes os olhos, e este dia há de chegar, o que te servirá cada escudo que usaste para esconder-te de ti mesmo? De nada te servirá as máscaras morais que usas em cada segmento de tua vida. Serás órfão de pai, serás órfão de tudo. Pois serás só matéria que aduba a terra. Teus melhores sonhos neste dia, serão reduzidos ao sonho mais medíocre do mais medíocre homem. E de todo teu poder e fortuna, te sobrará apenas um buraco no  chão, e olhe lá se isto to derem.
Por que, então, não viver o hoje como o dia mais precioso de nossas vidas? Por que não valorizar a sensação de sentidos que a nós nos é facultado? Para que querer ser maior ou melhor, igual ou diferente, se podemos ao abrir dos olhos sermos nós mesmos?
Seja você, o quanto puder, todos os dias; e se alimente do desejo de explorar este lugar convencionalmente chamado mundo. Porque nalgum momento irás partir. E donde vais, nada se sabe; nada se conhece; tudo se teme, se é que há algo além da interpretação da morte.
Contudo, nosso orgulho continua maior que nossa visão e continuamente nos aprimoramos e ser piores que o que demonstramos ser. A nossa natureza é má, nossas necessidades superam o devido amor.
“Enfim, quando olho além de mim, posso facilmente reconhecer todos os outros como a mim mesmo”. Pois deixo de ser, para sentir cada um deles; compartilhando cada medo, curiosidade, temores; participando deles, sabendo que são tudo que sou. E, embora, estejamos destinados ao mal e ao fim, ainda podemos partilhar do bom e terno sentir.
O que é o homem sem outro que o permita reconhecer-se como tal? “Na vida, nossas espécies são os espelhos mais bem projetados que podemos ter”. E partindo da ideia que o outro, nada mais é que uma projeção de mim, posso, assim, viver melhor. Pois farei o que estiver a meu alcance por sua preservação; claro que pensando ser a nossa própria, ou não?

Assim definido, poderá nascer uma esperança real, não para o fim, mas para o inicio de um mundo melhor. Porque, meu irmão, em nada me interessa a morte. O que me prende toda atenção é só e somente a vida e todo seu espetáculo de egoísmo. E viver é a única verdade que me resta.

Que possamos, assim, abandonar todo vitupério que carregamos. E que paremos de vender nossos valores, para que uma árvore cresça e frutifique na porção de terra que escolhermos adubar.

APRENDIZES DA RELIGIÃO


Ó pobres e infelizes homens, que tão cedo aprendem que a culpa é saída e que remorso os isenta de toda e qualquer dor. Que olha o mundo acreditando de fato poder enxergar. Por que tendes a aceitar que no oculto te redimes? Sois, ai, menos criminoso de consciência?  De que o oculto te esconde senão só de ti mesmo? Me dizes: - e não seria suficiente?
O que é moral meu caro leitor? O que é certo? Seria este um texto baseado só em perguntas ou as respostas já estão ai?
Tenho para mim que existe certo prazer, não no errar, digo moralmente falando, mas, no culpar-se. E a ideia de um deus misericordioso se encaixa como forma perfeita, pois, nele, tudo é remissão.

Ta ai o prazer do pedir perdão; do voltar ao “primeiro amor”; do ser, enfim, aprendizes da religião.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

" O SISTEMA"

Eu vejo a corrupção acolhida como um sistema de governo. Ideais vendidos. Fanatismo promovido em todas suas formas. Homens que manipulam resultados, que burlam regras e lutam em nome do "poder pelo poder". Vejo uma sociedade desmoralizada, corrompida. Ao mesmo que percebo timidamente (não suficiente) a revolta ascendente de uma parcela ínfima da sociedade. Contudo, esses homens que carregam o estado em suas costas não sabem se organizar na luta por seus projetos. "SÃO HOMENS DE VONTADE, MAS NÃO DE FORÇA". São guerreiros numa batalha já decidida. O que podem fazer? 
Eis ai, o que podem não fazem, e o que fazem, quando fazem, o fazem da maneira errada.
Toda forma de domínio articulada e posta em prática atualmente é baseada na subserviência do homem sobre o homem. Aquele que goza de posição de maior destaque social e financeiro articula/manipula toda parcela restante.
Nós, como servos obedientes, "cordeiros" por natureza, nos entregamos a seguir os propósitos de "homens superiores". Absorvemos seus ideais e numa segregação política simplesmente lutamos irmão contra irmão. Tá ai, instaurada a divisão partidária que no fundo você nem conhece. Acolhemos como nosso tudo que não decidimos e que nem ao menos participamos da construção.
O princípio básico é que somos demasiado covardes para querermos entendê-la. Porque se a entendermos, duvido que continuemos a aceitá-la.

A miséria da ignorância

Olhe nos olhos deste faminto morimbundo que caminha cá descalço neste sol castigante do verão; você verá que ali há dor escondida. E saberá que o culpado também é você. Somos culpados da desgraça que acomete nossos irmãos, se não em todo, em parte, então. Somos culpados pelo bem que deixamos de fazer. Ora, não temos a obrigação de resolvermos os problemas do mundo. Claro que não. Mas, se a um único homem tirardes dele a fome e o frio já és tão grande quanto os "deuses do Olimpo". Ignoramos os desprovidos, carentes, perdidos. Porque temos medo de fazer algo; sim, o medo de fazer o bem. E, que, meu irmão, não seja por títulos, glória ou honra, apenas por amor, este tão difundido e que pregas com afinco. Perdoe-me aqui, mas a ferida é curada com remédios, não com palavras. De que me serve pregar um "deus" e ignorar a fome, percebe? Somos hipócritas lutando pela conquista de "almas" para nosso reino. É uma luta e não por amor ou em seu nome. Eu sinto asco de mim, só por saber que sou parcela deste mal que tange a humanidade. Por saber, meu caro, que o bem que poderia fazer foge de mim e o mal do qual escondo a face me é realidade contínua.
Rogo-vos, na pura razão, que lutes contra a miséria da ignorância. E que a teu parecido possas estender tuas miseráveis mãos. Porque sei que muitos não entendem, e poucos que entendem se negam. Vê?
Está a nosso alcance, isso, o bem. Porque facilmente o negamos como se não fosse esse o nosso dever?
Como um certo alguém outrora disse e delas faço minhas, as palavras: "Que a nossa religião seja fazer o bem".
Lamento do fundo desta singela alma que sejamos tão mesquinhos e medíocres a ponto de esquecermos dos nossos irmãos que por culpa ou necessidade vagueiam nas vielas sem pão. Peço perdão a vocês se vos dou agora somente palavras, porque sei que não alimentam, nem curam, mas agora é tudo que posso oferecer...
...Mas não é tudo que tenho.

Ninguém se Importa!!

Sabe de uma coisa, ninguém se importa!
Exatamente isto, ninguém da a mínima para o que você possa vir a sentir. As pessoas são fúteis, desprezíveis; é a nossa natureza, não tem como dela fugir.  E quando "fingimos" sentir algo é só por interesse nesse jogo de manipulação.
Porque, no fim, ninguém se importa.
Quão vil é a "pena", que cria no homem a falsa ideia de que está de fato preocupado com a necessidade do outro. Que "pena" sermos assim.
Quantos podem ouvir-te e dar-te conselhos? Sem dúvida muitos. E com propriedade os teus mais próximos isso o farão. Contudo, nada significa; a não ser a vaga ideia de se "importar" sendo passada. No fundo, o próprio ego remete à sua consciência que eles também têm problemas e cabe a cada qual superá-los da maneira que melhor lhes convier. Não existe verdadeiro altruísmo.
Talvez você discorde do que fora dito por acreditar que não é parte neste ou deste meio; por achar que não se enquadra nestas palavras. Mas, eu sei que você bem sabe que no fundo ninguém se importa. Você, caro leitor, é prova incontestável do que digo por que neste momento você não quer saber o quero passar, simplesmente não te importa. Ora, eu também, a final, porque me importaria?
Calma, não é o fim do mundo. Até porque você disto já sabia. O pior de tudo é você esperar mais dos outros que de si mesmo. Esperando a solidariedade e um braço estendido para se recompor; quando o mais justo a se fazer é tomar uma dose de "Narciso" e se reerguer em silêncio, sem necessitar do valor que damos a importância dos outros. Porque, caro amigo, embora eu não me importe com a sua vida, sei que ela é igual a minha; e porque, então, não compartilharmos da mesma visão?