terça-feira, 20 de maio de 2014

A fé da verdade

Não quero viver uma verdade baseada na fé. Mas tenho a ânsia de encontrar uma fé baseada na verdade. Porque mesmo os deuses em toda sua grandeza não impõem seus pensamentos, mas sim, permitem que cada homem tenha a liberdade de lhes seguir. E como homem livre que sou, escolho uma fé como verdade, e tenho a plena consciência de que esta verdade que escolhi é relativa e não universal. Escolho ser livre, e viver aquilo que melhor me define, e com isso, escolho para mim o que mais me identifica. Pois a verdadeira fé não é uma imposição cultural da sociedade, mas uma fuga da escravidão dos sentidos. Enquanto éramos escravos de sua performance agíamos como sábios dentro de nossa ignorância.

“Ser-deus”



Vejo-me como componente da matéria criada que de algum modo veio existir. Sou parte estrutural e biológica da matéria, do universo infinito. Entendo-me hoje com o mesmo valor que existe noutro ser qualquer; como uma rocha bruta ou uma porção de vento, de tempo, de luz. E como parte integrante deste círculo devo ser grato aos outros corpos que me circundam. Veja, o sol fornece o que a planta necessita a seu desenvolvimento e ela cresce saudável, se conjuntamente acompanhada doutras dezenas de substâncias; então neste universo percebesse a ligação direta de todas as coisas. Tudo cria uma forma, toma um espaço, se coincide com outra. Tudo é sem dúvida alguma uma essência do que vem a ser “deus”. Logo, seria ousado dizer que se tudo é parte de deus e tudo unido em sincronia é deus, então, eu, humano, sou parte, logo, sou deus. Entenda, o deus a que me refiro aqui é algo além da forma usual do qual concebemos nossa fé. Ele é a energia impulsionadora da vida e de toda forma racional ou irracional, nanimada ou inanimada. É simplesmente o arquiteto que projetou; mas, não na racionalidade com finalidade pré-escrita. Não somos as sombras ou a distração de um “ser”, mas somos o “ser”, o próprio “ser”. Pois somos parte desta vida, desta energia, deste universo provável.
Entendo hoje que preciso do ar, do sol, da planta, da terra, de tudo que me circunda, para poder viver. Porque não sou uma parte isolada ou mesmo única. Sou um conjunto pertencente a este conjunto chamado universo; assim como meu corpo possui membros que são juntos o conjunto do “ser-humano”. Ser deus, por ser uma parte de deus jamais limitaria o deus em sí. Porque sabemos que tudo teve um inicio, e o próprio inicio já o é deus.
Somos racionais, e me pergunto, porquê? Por que aparentemente somos a única espécie com esta incrível forma de representação? Por que nosso cérebro cria conexões que nos permitem refletir sobre a própria reflexão? Por que pensamos? por que temos ideias? Sonhos? Por que criamos? Dominamos? E mesmo não sabendo definir ou justificar cada questão, faço questão de expor que, embora, racionais e considerados seres superiores (apenas por nós mesmos) não somos melhores que nenhuma outra criatura e nossa capacidade não nos faz superior a nenhuma outra criação. Somos, como todos bem sabem, uma espécie (homo sapiens) e a racionalidade é uma característica nossa e única.
Pense, pássaros voam. Peixes respiram dentro d’água sem equipamentos e isto define a característica de suas espécies. Posso dizer que somos agraciados por isto? De modo algum. Me recuso a ver-me superior ao vento e como antes já dito, superior a qualquer outra forma ou espécie. Sou componente da criação e carrego minhas características em cada passo rumo a morte, por que todos os caminhos parecem aos olhos finitos. Mas sei na minha convicção que o fim nunca existirá para o início. Somos os deuses por sermos parte do deus. A vida é deus. O que existe é deus. O vejam como é, sem medo de se sentirem culpado algum dia, porque a culpa é seu fracasso maior.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

ÍDOLOS


Tantos são os ídolos que, de livre vontade escolhemos adorar. Ídolos com nomes, com rostos, com formas; outros são inanimados, corpos celestes, sombras de uma vida (santos). Rendemos cultos e nosso tempo a apreciação da glória que não é nossa, e contudo só existe por nós. Ó, quanta admiração da grandiosidade. Quanto fascínio pelo belo, pelo justo, pelo sagrado, e cá entre nós, pelo profano.
Assim somos todos, mesmo os mais céticos ou incrédulos; pois ninguém caminha toda uma vida sozinho, existe sempre um ar de gratidão pronto a render-se. Todo descrente apenas crer na falta de fé, isso o faz crédulo de sua certeza. Todos temos ídolos, embora nem todos confessem ou reconheçam; mas no momento que defendemos nossas convicções e nela fielmente acreditamos, somos então nossos modelos ideais, os ídolos perfeitos de nossa existência.
Admirar o belo tem lá seu lado pueril, jovial; mas até que ponto a admiração pode ser dádiva e não escravidão? Pois bem, na sociedade contemporânea os novos ídolos tomam a vitrine dos antigos. Antes, os homens e os símbolos de honra nos cativavam. Agora, nesta era moderna adoramos as marcas, produtos e símbolos de luxuria e prazer.
nossos heróis morreram de overdose”, nossos reis (símbolo maior de uma sociedade) são jogadores de futebol, cantores, artistas. Voltamos nossa atenção à ostentação do “ter” e somos súditos da ignorância. Não valemos mais por aquilo que somos, isto ficou noutra era e mesmo mais adiante creio que não será mais contemplado.
Não precisamos de conhecimento, larguem os livros, liguem a TV. Veja, te ofereço entretenimento, em troca você abre mão do sentido real da vida”. Esta afirmativa acima apenas define o que esta explícito em nossa geração. Claro, o governo é um dos maiores interessados na criação desta mentalidade passiva, em seguida, como todos vós já sabem é o clero.
palhaços” (digo isto literalmente), nos representam no governo; logo, somos platéia de tudo que ocorre. Os pensadores contemporâneos nos trazem em suas máximas “tiro, bomba e beijo no ombro” (os que entendem entendam).
Quanta admiração pela ignorância, e não me excetuando destes a quem falo, quanto desperdício de vida. Pois os momentos possuem sua brevidade e logo se esvaem; no fim nosso tempo será insuficiente para tantos projetos que desejávamos ter alcançado. Restará culpa, dor, remorso, e fecharemos nossos olhos no último adeus e seremos, enfim um erro da vida, uma sombra esquecida, que em poucos momentos poderá ser rememorada. Nada teremos feito, nenhum legado de nós a história receberá. Tudo isto simplesmente por que abrimos mão de sermos livres. Tudo por que decidimos que adorar nossos ídolos seria mais conveniente que viver.
Queremos admiração, fama, reconhecimento, status a todo custo e em tudo que fazemos; queremos a vida do outro, e a vivemos na nossa fragilidade, na nossa ignorância. Vê? Quanta energia desperdiçada. Quanta vontade de viver manipulada por objetos,seres e coisas insignificantes.
Parem de se reduzir ao que não são. Vocês, nós, somos do tamanho de nossos sonhos. O quão grande você pode ser? Por outro lado, somos também do tamanho da nossa pequinês.
O sistema não deseja que deixemos de ser suas marionetes. Para não perderem seus inúmeros privilégios. Para não perderem seus dízimos que são pagos à parcela de nosso suor. Libertar-se destes ídolos não é fácil. É preciso antes de tudo entende-los, e assim perceber o quão obscuros podem ser seus caminhos. Viver em prol de deus ou qualquer outra ferramenta utilizada para sua manipulação é negação da própria existência, é uma rendição por crimes que você jamais cometeu. Isso é cruel.
Por tal motivo concito a vós que entendam para melhor se guiar. A  religião desgraça nosso povo; as ovelhas perfeitas que caminham submissas a um destino prometido, um galardão. Quanta maleficência com esta gente, pessoas que no fundo só queria a verdade e receberam esta “paz de espírito” que as escravizam. Mas este é outro assunto que será em breve abordado, atenhamos nossa atenção ao ídolos dos quais antes falávamos; os ídolos da mídia, os ídolos das igrejas, os ídolos da própria mente, a esses ídolos que tomam posições cada vez mais importantes em nossa jornada. Isto será um processo quase que irreversível se não nos desligarmos a tempo. Saiam das sombras da glória dos outros e vivam suas vidas na busca da verdade; parem de se alimentar com o trigo que vocês não plantaram, nem ceifaram. Encontrem respostas, façam perguntas, entendam o que devem fazer e o por que de sua existência singular; assim, mesmo ao findar de seu tempo e ao dar o último trago de ar, você saberá que valeu a pena esta caminhada e que você foi essencial a evolução e progresso desta magnífica criação, vida. Seus olhos, enfim, repousarão em paz.

ESCRAVOS DA VERDADE


    
Faço-me dúvida ao tentar ser resposta. Como se a chave (se é que se existe uma porta) de todos os tempos estivessem a nossa disposição. Alguns relatos históricos, cronologias e até artigos científicos  são nossa garantia de que existe deveras uma verdade. E desde nossos primeiros passos já somos guiados a eles. Até que alcançamos a mentalidade de que aquilo nos pertence. Hoje sabemos que apenas nos apossávamos de todas as ideias, e pelo desejo contínuo de encontrar um caminho nos rendemos a uma fé, mesmo que na ciência. É uma luz que clareia nossa forma, é uma matéria “exata” que não pode haver contradição. Morremos por ela; por ela lutamos. Esta é a convicção que há uma verdade, e se há, então me pertence. Rejeitamos outros deuses se não os que outrora nos fora apresentado em nosso nicho pueril.
Com isso queremos converter as “almas depravadas” da sociedade, oferecendo perdão e galardão: - convertam-se a meu deus, dele vem salvação. – no fim guerreamos com nossos próprios irmãos, tudo em nome de deus.
Faço-me dúvidas ao tentar ser resposta, pois acompanho com sereno olhar o percurso andado. Sou dúvida quando me vendem fé. Sou resposta quando tento vende-la, ou não é bem assim?
Percebem onde esta vossa crença e vossos valores? Não? Pois bem, está na sua cultura, na sua origem, no seu meio. Está enraizada em você, mas não por sua culpa. Ora, você não escolheu ter esta fé, simplesmente lhes impuseram em troca de sua submissão. Hoje sua liberdade está penhorada.
Digam-me que sois fieis por vossas próprias ideologias, sei bem que quereis dizer. Falem-me que escolhestes este caminho por sua própria consciência, e lhes direi: - de fato opinaste entre as opções apresentadas; entre o bem e o mal tão difundidos nestes tempos. Que abraçastes tudo que te conforta, que te dá repouso, que admiras. Por isto ouso dizer que estais ESCRAVO DA VERDADE. Por que se não houvesse opções qual seria seu caminho? Se nenhum homem houvesse pregado o que aprendestes o que sobraria de ti?
Ó doces e incompreendidos fiéis, crer por crer não é suficiente para uma vida. Mas o que é suficiente então? Me perdoe dizer, mas o suficiente seria VIVER, o que não tendes feito porque outros o fazem constantemente por ti. O suficiente seria resumido em ser livre da verdade que te deram, pois não é tua e disso o sabes, ganhastes, comprastes, mas não te pertence.
Concito a vós que se temos duas opções a seguir ( céu e inferno ) então não temos nenhuma. Encontre-se você mesmo dentro de si e siga por suas reais convicções; você é a verdade, ela não pode ser universal.
Atenha-se sempre a esta ideia de que você não a deve impor, cada um deve encontrá-la por si e em si mesmo como jaz dito.
Se vedes deste modo, não que eu tenha a razão e disto faço questão de expor, mas se vedes com seus próprios olhos sereis como a luz que resplandece.
Então não tereis medo de ser quem és, ou culpa de não ter feito tudo que queria e os anos de tua vida serão unicamente teu.
Existe verdade? Arrisco: - não da maneira convencional. Cabe a cada um de nós encontrá-la; infelizmente, outros tantos ainda preferem simplesmente aceitá-la… 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Ensaios da liberdade


Ao sentir a luz das esperanças emergindo dentro de mim, um homem que sempre foi escravo de seus próprios medos e desejos, vi-me como brasa incandescente que queima continuamente. Eram sensações absolutamente novas, surreais para um homem como eu, escravo de mim mesmo. Mas a luz emergia de trevas, das minhas próprias sombras, as que eu cultivei por medo, e por tradições.
Um cidadão comum, com segredos, mistérios, e desejos, assim eu o era. Tomado por fé inabalável nas crenças e ritos aprendidos ao longo de minha trajetória. Seguidor do deus que os homens criaram para satisfazer suas terríveis ambições. Sim, eu lutei em nome de deus, as guerras mais “santas”. Purifiquei meu coração para adentrar nos ensinamentos sagrados ante a luz da verdade. Só não percebi que a verdade que me davam a alimentar-me não era minha, e sim uma verdade criada a bel prazer em nome do que é sagrado.
Sacrifiquei meus anos em nome das causas, todavia, aos poucos meus olhos tentavam enxergar o que jazia além. Em segredo minha alma relutava a aceitar todas as coisas propostas, e no absoluto sigilo escondendo-me dos olhares opressores tentava eu encontrar a face das coisas. A verdade não revelada, os mistérios escondidos, os fatos omitidos, essa era minha pretensão a galgar. Mas como fazer isto sem que fosse tomado por louco em uma sociedade passiva em seus dogmas?
Fui me abrindo, como pegadas se abrem na caminhada ante a areia do mar. Procurando ver as contradições de sua própria fé, e por que não dizer da minha própria fé. Mas tenho a convicção de que posso conhecer o deus com meus próprios olhos, e senti-lo como meus braços sem a ajuda de intermediário algum.
O criador do universo não está sentado vendo nossas almas se arrastarem na imundície de nossas ambições como uma plateia que assiste seu evento preferido. O deus que fundou os firmamentos não está parado nos céus na ociosidade dos homens. Não, de modo algum, pois um deus que prefere ser um admirador das virtudes e das luxurias não pode ser de fato um deus. Mas se existe um ser que rege as forças intrínsecas do universo, com certeza ela está no próprio ar, no próprio alimento, no próprio ser, na constante evolução e mutação dos homens. Com absoluta propriedade, se um ser instaurou a vida, também instaurou a morte, logo a morte não é maldição, é dádiva, é presente celeste, é o processo contínuo de uma jornada.
Mas os homens o personificam em “achismos”.  Em imagens para o idolatrarem. E criam regras para seguir, tomando seus ensinamentos como virtudes máximas. Processam pensamentos “em nome de deus” e os ensinam como mestres do mundo. Cobram das pessoas suas almas e vendem uma fé personificada e tratada para melhor atender o seu publico. Deus virou um comércio. Sim, o Ser Maior que nossa mente não seria capaz de transcrever, se tornou algumas palavras em um texto, algumas imagens na TV, algumas cópias de manuscritos. E o nosso “redentor” simplesmente são as palavras que podemos dizer e que sabemos. Simplesmente limitamos o nosso senhor a nada, e nossa pequenez o acompanha em cada templo que para ele o construímos.
Pagamos para adorá-lo, e para muitos isto é cômico, e porque não seria? Afinal, ele precisa de um templo luxuoso, não? A constante hipocrisia da humanidade tem aclamado guerras em nome da paz. E levado sangue em nome da salvação. Grande deus o que vigia a dor lá de cima não?
Criamos demônios para justificarmos a imundície de nossa alma, porque simplesmente não conseguimos aceitar o quão podre podemos ser. Queremos um bode expiatório para depositarmos o nosso pecado, e nada melhor que demônios para isso, afinal, eles que são os espíritos maus que nos tomam e nos fazem agir de maneira diferente do habitual. Não se engane, os demônios somos nós mesmos e precisamos tomar esta consciência durante a vida, e saber que o inferno será nossa mente através das culpas e dos medos. O céu? O que seria então? Há, o céu seria a não personificação dos homens sobre deus, e sim o deus personificado nos homens.
Prestar caridade em busca de galardão? Faça-me rir. Ter uma fé esperando o dia da redenção? Faça-me rir. Seu pagamento será posto diante de vós todos os dias, pois o “reino dos céus” está em sua mente, e se você se esforça para no fim receber seu galardão você também é um hipócrita. A humanidade é escrava de anseios. É egoísta. E o bem maior que chegam a fazer, nada mais é que a tentativa de redimir seus pecados cálidos. Uma tentativa de barganhar com o Arquiteto dos Universos.
Aos poucos, aprofundando-me nos que meus olhos viam, logo vi-me como escravo de mim mesmo, e o deus que eu adorava era apenas um homem mistificado. Então, onde encontrar o deus de fato. Lamento dizer, você não o encontrará em lugar nenhum que procurar, ele não está à venda em vitrines, não está enraizado na terra e nos céus. Simplesmente não o encontrarás se o procuras, pois ele não se mede, não tem forma, cor, sabor…  Simplesmente não está aqui. Mas ele é ALFA, é OMEGA, é PRINCÍPIO e FIM. É a força impulsionadora deste ínfimo ponto desta galáxia, rodeada de milhares de outras galáxias, neste universo provável.
Nasceu uma luz dentro de mim, tive uma visão daquilo que me era vedado ver, o mundo. Eis que os deuses que nos cercam alimentam apenas o nosso ego, e o manipulamos, sejam eles considerados anjos, deuses ou demônios. Simplesmente manipulamos à nosso prazer. Hoje meus próprios olhos me guiam para esta realidade que não é absoluta, e sim apenas mais uma visão entre outras zilhões. Mas já posso respirar tranquilo sem o medo de parecer mais um louco que esqueceu de deus. Porque eu sei, na minha razão e no meu coração que o encontrei de verdade, onde deveria estar. E perdoem-me, mas a liberdade que sinto hoje, me projeta a viver como um ser melhor a cada segundo, não na esperança de um galardão futuro, mas sim nas esperança de encontrar o meu próprio céu. E por certo, se é por justiça que caminhas e em nome da liberdade de tua gente, praticando o amor, o deuses não te abandonarão.

Moralidade, erro fatal


E de repente um medo se apresentou por entre minhas convicções. Talvez eu estivesse errado todo tempo e ceguei-me com as ilusões que projetei em minha mente. Surgiam reflexos, traços, marcas de um passado não muito distante. Eu teria abandonado de fato uma fé? Todavia, acalmei-me, respirei bem fundo e olhei nos olhos de meu algoz. Fazendo isto relaxei a tensa confissão de um fracasso, e novamente reestabeleci minhas afirmativas. De fato a tenacidade que carrego é real, entretanto existem culpas e remorsos que são difíceis de serem dissipados. Crer é muito fácil, mas deixar uma fé tem sua ponta de astúcia luciferal. Adotei um novo sistema de entendimento e hoje a verdade que escolhi seguir diverge daquela que meus pais me instruíram outrora. E esta aceitação não é fácil para o contemplador e muito menos para mim. Resignar-me de dogmas e preceitos jaz concebido é algo complexo e necessário, por que enquanto caminharmos em direção à moralidade estaremos como homens de rebanho (como expressa Nietzsche) seguindo a um abismo perpétuo. Ora, a própria moral moderna já nos é imoralidade e a justiça do qual nos orgulhamos é um sistema típico de domínio dos homens poderosos sobre a casta servil. E esta vivissecção de meu pensar fez resignar-me de qualquer indício de temor por existir a possibilidades de que eu estivesse a caminhar na direção oposta da vida apresentada; simplesmente por que decidi ver com meus olhos e sentir, não da maneira “rebanho” e sim da maneira física e concreta.
Ó, algozes de minhas ideologias, até quando sereis ignóbeis por não se abrirem às possibilidades que se apresentam a vós? Não vedes que a verdade que segues é baseada na fé? E desde quando o absolutismo vos pertence? Enfim, eu estarei em busca incessante, mas desta vez não tenho em mente desejo de encontrar respostas que me satisfaçam e me deem tranquilidade para enfim repousar. O que farei é que buscarei em todas as portas e testarei cada teoria. Não desejo iludir-me com nenhuma resposta, mas estarei em cada questão. Porque o mundo caminha em sua relatividade e suas “verdades” morais de geração em geração são trocadas. E os pais ensinam os filhos que é errado resistir a aceitar, e que eles precisam a todo custo serem servos e se submeter ao “sim senhor”, “não senhor” todo tempo.
Filhos de suas mães, é hora de vedes com os próprios olhos por que nunca o fizeste. Sempre precisaste de ajuda para viver, respirar, e até o amor que segues ( e refiro-me a todos os amores) é algo que não é teu. É algo dado pela sociedade. E garanto-vos uma certeza, sereis considerados como loucos, rebeldes, “endemoninhados”, mas sereis enfim como homens livres, porque simplesmente não se permite aceitar, agora será dono de si mesmo. E em cada caminhada tropeçareis e haverá medo e duvidas quanto à escolha que seguiste, e podereis desejar voltar, afinal será muito mais cômodo não conhecer além daquilo que já sabemos. Será muito mais confortável viver às sombras dos nossos senhores, e eles hão de nos confortar e nos receber de braços abertos como o filho pródigo. Mas não desanimeis, pois sua busca será recompensada com o que podereis ver, um mundo sem igual. Sem mácula, sem muito e ao mesmo tempo com muito mistério, mas desta vez, fundamentado em algo concreto além dos “achismos” ao qual somos entregues diariamente.
Meus irmãos, a verdade está além de nossa visão. E não existe algo que garanta que você irá encontrar. Mas a busca será sem dúvida alguma seu maior prêmio. Tenha certeza do que você quer e siga, mas cuidado para simplesmente não aceitar uma verdade por ser mais cômoda e confortável. Teste-a, discuta-a, atenha-se a suas nuanças e revele ao mundo o fruto da sua liberdade.

CONTRASSENSO DA IDEIA MORAL

                      

Deixemos de lado tal arrogância de pensar que somos melhores que nossos antepassados simplesmente por termos aprimorado nosso senso do que é “moral”. Hoje somos autossuficientes em produzir por nós mesmos a arrogância do pensar “ser superior”. Somos mestres da justiça que nos satisfaz. E o que é justo é só e somente o que é bom, diante de uma ótica moral, para toda sociedade.
 -        Claro que a pena de morte instituída noutros países que não o Brasil é totalmente legal e “justa”.  - Ora, eis ai tal prova da perversão de nossos sentidos. A liberdade que temos em denominar o certo do errado, tanto quanto o justo do injusto é guiada pela necessidade de se produzir distinção de toda e qualquer diferença dos juízos que projetamos como rédeas a serem seguidas.
Não somos hoje melhores que os homens de outrora. Embora o tenhamos como seres em “produção e aprimoramento”, e por que não dizer de alguns, “fúteis e desprezíveis”.
Sente que estamos confinados no preconceito  da justiça? Sim, preconceito  da justiça! (Que por hora e para esta geração pode não ser tão ruim, todavia, sua hereditariedade marcará desastrosamente gerações e sociedades). Nós condenamos o sangue de nosso sangue se praticam ato contra a lei dos homens.
Entenda-se por preconceito de justiça nosso senso do que é moral e imoral. Veja: - Se  condenamos os escravocratas ou mesmo os nazistas, estamos agindo diante de um processo próprio, pessoal e íntimo dos nossos sentidos. É um preconceito por assim dizer que estamos certos e os mesmos errados. Quantos no decurso da história não apoiaram os mesmos pensamentos que hoje são condenados pela “moral superior” que nossa geração adquiriu?
Atenha-se a interpretação exata do que digo, e não vagueie nas possibilidades que por traz das entrelinhas poderiam estar  implícitas, pois sou claro convosco e vos lhes mostro  a face de nossas crenças de maneira literal e não simbólica. O que quero de fato que seja entendido jaz escrito ou você não vê? Ora, se não vê, talvez seja já o preconceito de seu senso de justiça superior tentando rejeitar toda e qualquer ideia que se apresente e que seja contra as que você as têm.
Nestas palavras de modo algum justifico o que tais homens de nossa histórica humanidade tenham feito. Não apoio o ódio, o racismo, o sentimento de superioridade moral ou a intolerância de qualquer setor social, político ou religioso; sabendo que isto já o é meu senso de moral superior em ação. Pois este senso é automático e vital à razão humana; é guia para o progresso, e embora sua “evo involução” seja a marca de sociedades cada vez mais morais e injustas no sentido de libertar o homem. No fim somos todos prisioneiros de nossos sentidos. E mesmo isto já o é contraditório em si. Porque se o classifico, logo, o julgo; e se o julgo, foi a minha moral que é contra sua lógica demonstrada; portanto fui guiado a meus instintos inferiores que permitem ver-me superior ao julgado inferior. Sou eu mesmo a condicionante do justo e injusto, a controvérsia perfeita da demonstração das minhas palavras. Não sou maior ou melhor que qualquer um de vós, simplesmente sou a mesma loucura e contradição que vives e és.
Abolir a justiça moral seria a cura para uma sociedade verdadeira? De modo algum; somos o erro necessário do progresso que vivemos e sem este erro voltaríamos aos paus e pedras.
Porque então nos escreve tais coisas, se de nada nos servirá? Ora, ora, meus irmãos, não seria egoísmo de minha parte se não tivesse a coragem de dizer o quanto covardes somos desde as mais remotas gerações? Precisamos entender que não somos de maneira nenhuma superiores as ideias que não nos pertence. Pela nossa moral social adquirida somos contra muitas outras, mas no fim saibamos que as outras são tão naturais e puras em sua origem quanto a vida.
Vivamos então na liberdade do respeito e na apreciação do contra sentido. Afinal, o sentido da vida não é único ou absoluto, mas um deles é entender quem somos, o que somos e o que queremos. E perceber-se neste meio como um igual-diferente é tão precioso quanto o viver. Entende?