Vejo-me como componente da matéria criada que de algum modo veio existir. Sou parte estrutural e biológica da matéria, do universo infinito. Entendo-me hoje com o mesmo valor que existe noutro ser qualquer; como uma rocha bruta ou uma porção de vento, de tempo, de luz. E como parte integrante deste círculo devo ser grato aos outros corpos que me circundam. Veja, o sol fornece o que a planta necessita a seu desenvolvimento e ela cresce saudável, se conjuntamente acompanhada doutras dezenas de substâncias; então neste universo percebesse a ligação direta de todas as coisas. Tudo cria uma forma, toma um espaço, se coincide com outra. Tudo é sem dúvida alguma uma essência do que vem a ser “deus”. Logo, seria ousado dizer que se tudo é parte de deus e tudo unido em sincronia é deus, então, eu, humano, sou parte, logo, sou deus. Entenda, o deus a que me refiro aqui é algo além da forma usual do qual concebemos nossa fé. Ele é a energia impulsionadora da vida e de toda forma racional ou irracional, nanimada ou inanimada. É simplesmente o arquiteto que projetou; mas, não na racionalidade com finalidade pré-escrita. Não somos as sombras ou a distração de um “ser”, mas somos o “ser”, o próprio “ser”. Pois somos parte desta vida, desta energia, deste universo provável.
Entendo hoje que preciso do ar, do sol, da planta, da terra, de tudo que me circunda, para poder viver. Porque não sou uma parte isolada ou mesmo única. Sou um conjunto pertencente a este conjunto chamado universo; assim como meu corpo possui membros que são juntos o conjunto do “ser-humano”. Ser deus, por ser uma parte de deus jamais limitaria o deus em sí. Porque sabemos que tudo teve um inicio, e o próprio inicio já o é deus.
Somos racionais, e me pergunto, porquê? Por que aparentemente somos a única espécie com esta incrível forma de representação? Por que nosso cérebro cria conexões que nos permitem refletir sobre a própria reflexão? Por que pensamos? por que temos ideias? Sonhos? Por que criamos? Dominamos? E mesmo não sabendo definir ou justificar cada questão, faço questão de expor que, embora, racionais e considerados seres superiores (apenas por nós mesmos) não somos melhores que nenhuma outra criatura e nossa capacidade não nos faz superior a nenhuma outra criação. Somos, como todos bem sabem, uma espécie (homo sapiens) e a racionalidade é uma característica nossa e única.
Pense, pássaros voam. Peixes respiram dentro d’água sem equipamentos e isto define a característica de suas espécies. Posso dizer que somos agraciados por isto? De modo algum. Me recuso a ver-me superior ao vento e como antes já dito, superior a qualquer outra forma ou espécie. Sou componente da criação e carrego minhas características em cada passo rumo a morte, por que todos os caminhos parecem aos olhos finitos. Mas sei na minha convicção que o fim nunca existirá para o início. Somos os deuses por sermos parte do deus. A vida é deus. O que existe é deus. O vejam como é, sem medo de se sentirem culpado algum dia, porque a culpa é seu fracasso maior.
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