Tantos são os ídolos que, de livre vontade escolhemos adorar. Ídolos com nomes, com rostos, com formas; outros são inanimados, corpos celestes, sombras de uma vida (santos). Rendemos cultos e nosso tempo a apreciação da glória que não é nossa, e contudo só existe por nós. Ó, quanta admiração da grandiosidade. Quanto fascínio pelo belo, pelo justo, pelo sagrado, e cá entre nós, pelo profano.
Assim somos todos, mesmo os mais céticos ou incrédulos; pois ninguém caminha toda uma vida sozinho, existe sempre um ar de gratidão pronto a render-se. Todo descrente apenas crer na falta de fé, isso o faz crédulo de sua certeza. Todos temos ídolos, embora nem todos confessem ou reconheçam; mas no momento que defendemos nossas convicções e nela fielmente acreditamos, somos então nossos modelos ideais, os ídolos perfeitos de nossa existência.
Admirar o belo tem lá seu lado pueril, jovial; mas até que ponto a admiração pode ser dádiva e não escravidão? Pois bem, na sociedade contemporânea os novos ídolos tomam a vitrine dos antigos. Antes, os homens e os símbolos de honra nos cativavam. Agora, nesta era moderna adoramos as marcas, produtos e símbolos de luxuria e prazer.
“nossos heróis morreram de overdose”, nossos reis (símbolo maior de uma sociedade) são jogadores de futebol, cantores, artistas. Voltamos nossa atenção à ostentação do “ter” e somos súditos da ignorância. Não valemos mais por aquilo que somos, isto ficou noutra era e mesmo mais adiante creio que não será mais contemplado.
“Não precisamos de conhecimento, larguem os livros, liguem a TV. Veja, te ofereço entretenimento, em troca você abre mão do sentido real da vida”. Esta afirmativa acima apenas define o que esta explícito em nossa geração. Claro, o governo é um dos maiores interessados na criação desta mentalidade passiva, em seguida, como todos vós já sabem é o clero.
“palhaços” (digo isto literalmente), nos representam no governo; logo, somos platéia de tudo que ocorre. Os pensadores contemporâneos nos trazem em suas máximas “tiro, bomba e beijo no ombro” (os que entendem entendam).
Quanta admiração pela ignorância, e não me excetuando destes a quem falo, quanto desperdício de vida. Pois os momentos possuem sua brevidade e logo se esvaem; no fim nosso tempo será insuficiente para tantos projetos que desejávamos ter alcançado. Restará culpa, dor, remorso, e fecharemos nossos olhos no último adeus e seremos, enfim um erro da vida, uma sombra esquecida, que em poucos momentos poderá ser rememorada. Nada teremos feito, nenhum legado de nós a história receberá. Tudo isto simplesmente por que abrimos mão de sermos livres. Tudo por que decidimos que adorar nossos ídolos seria mais conveniente que viver.
Queremos admiração, fama, reconhecimento, status a todo custo e em tudo que fazemos; queremos a vida do outro, e a vivemos na nossa fragilidade, na nossa ignorância. Vê? Quanta energia desperdiçada. Quanta vontade de viver manipulada por objetos,seres e coisas insignificantes.
Parem de se reduzir ao que não são. Vocês, nós, somos do tamanho de nossos sonhos. O quão grande você pode ser? Por outro lado, somos também do tamanho da nossa pequinês.
O sistema não deseja que deixemos de ser suas marionetes. Para não perderem seus inúmeros privilégios. Para não perderem seus dízimos que são pagos à parcela de nosso suor. Libertar-se destes ídolos não é fácil. É preciso antes de tudo entende-los, e assim perceber o quão obscuros podem ser seus caminhos. Viver em prol de deus ou qualquer outra ferramenta utilizada para sua manipulação é negação da própria existência, é uma rendição por crimes que você jamais cometeu. Isso é cruel.
Por tal motivo concito a vós que entendam para melhor se guiar. A religião desgraça nosso povo; as ovelhas perfeitas que caminham submissas a um destino prometido, um galardão. Quanta maleficência com esta gente, pessoas que no fundo só queria a verdade e receberam esta “paz de espírito” que as escravizam. Mas este é outro assunto que será em breve abordado, atenhamos nossa atenção ao ídolos dos quais antes falávamos; os ídolos da mídia, os ídolos das igrejas, os ídolos da própria mente, a esses ídolos que tomam posições cada vez mais importantes em nossa jornada. Isto será um processo quase que irreversível se não nos desligarmos a tempo. Saiam das sombras da glória dos outros e vivam suas vidas na busca da verdade; parem de se alimentar com o trigo que vocês não plantaram, nem ceifaram. Encontrem respostas, façam perguntas, entendam o que devem fazer e o por que de sua existência singular; assim, mesmo ao findar de seu tempo e ao dar o último trago de ar, você saberá que valeu a pena esta caminhada e que você foi essencial a evolução e progresso desta magnífica criação, vida. Seus olhos, enfim, repousarão em paz.
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