quinta-feira, 15 de maio de 2014

Moralidade, erro fatal


E de repente um medo se apresentou por entre minhas convicções. Talvez eu estivesse errado todo tempo e ceguei-me com as ilusões que projetei em minha mente. Surgiam reflexos, traços, marcas de um passado não muito distante. Eu teria abandonado de fato uma fé? Todavia, acalmei-me, respirei bem fundo e olhei nos olhos de meu algoz. Fazendo isto relaxei a tensa confissão de um fracasso, e novamente reestabeleci minhas afirmativas. De fato a tenacidade que carrego é real, entretanto existem culpas e remorsos que são difíceis de serem dissipados. Crer é muito fácil, mas deixar uma fé tem sua ponta de astúcia luciferal. Adotei um novo sistema de entendimento e hoje a verdade que escolhi seguir diverge daquela que meus pais me instruíram outrora. E esta aceitação não é fácil para o contemplador e muito menos para mim. Resignar-me de dogmas e preceitos jaz concebido é algo complexo e necessário, por que enquanto caminharmos em direção à moralidade estaremos como homens de rebanho (como expressa Nietzsche) seguindo a um abismo perpétuo. Ora, a própria moral moderna já nos é imoralidade e a justiça do qual nos orgulhamos é um sistema típico de domínio dos homens poderosos sobre a casta servil. E esta vivissecção de meu pensar fez resignar-me de qualquer indício de temor por existir a possibilidades de que eu estivesse a caminhar na direção oposta da vida apresentada; simplesmente por que decidi ver com meus olhos e sentir, não da maneira “rebanho” e sim da maneira física e concreta.
Ó, algozes de minhas ideologias, até quando sereis ignóbeis por não se abrirem às possibilidades que se apresentam a vós? Não vedes que a verdade que segues é baseada na fé? E desde quando o absolutismo vos pertence? Enfim, eu estarei em busca incessante, mas desta vez não tenho em mente desejo de encontrar respostas que me satisfaçam e me deem tranquilidade para enfim repousar. O que farei é que buscarei em todas as portas e testarei cada teoria. Não desejo iludir-me com nenhuma resposta, mas estarei em cada questão. Porque o mundo caminha em sua relatividade e suas “verdades” morais de geração em geração são trocadas. E os pais ensinam os filhos que é errado resistir a aceitar, e que eles precisam a todo custo serem servos e se submeter ao “sim senhor”, “não senhor” todo tempo.
Filhos de suas mães, é hora de vedes com os próprios olhos por que nunca o fizeste. Sempre precisaste de ajuda para viver, respirar, e até o amor que segues ( e refiro-me a todos os amores) é algo que não é teu. É algo dado pela sociedade. E garanto-vos uma certeza, sereis considerados como loucos, rebeldes, “endemoninhados”, mas sereis enfim como homens livres, porque simplesmente não se permite aceitar, agora será dono de si mesmo. E em cada caminhada tropeçareis e haverá medo e duvidas quanto à escolha que seguiste, e podereis desejar voltar, afinal será muito mais cômodo não conhecer além daquilo que já sabemos. Será muito mais confortável viver às sombras dos nossos senhores, e eles hão de nos confortar e nos receber de braços abertos como o filho pródigo. Mas não desanimeis, pois sua busca será recompensada com o que podereis ver, um mundo sem igual. Sem mácula, sem muito e ao mesmo tempo com muito mistério, mas desta vez, fundamentado em algo concreto além dos “achismos” ao qual somos entregues diariamente.
Meus irmãos, a verdade está além de nossa visão. E não existe algo que garanta que você irá encontrar. Mas a busca será sem dúvida alguma seu maior prêmio. Tenha certeza do que você quer e siga, mas cuidado para simplesmente não aceitar uma verdade por ser mais cômoda e confortável. Teste-a, discuta-a, atenha-se a suas nuanças e revele ao mundo o fruto da sua liberdade.

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