quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A miséria da ignorância

Olhe nos olhos deste faminto morimbundo que caminha cá descalço neste sol castigante do verão; você verá que ali há dor escondida. E saberá que o culpado também é você. Somos culpados da desgraça que acomete nossos irmãos, se não em todo, em parte, então. Somos culpados pelo bem que deixamos de fazer. Ora, não temos a obrigação de resolvermos os problemas do mundo. Claro que não. Mas, se a um único homem tirardes dele a fome e o frio já és tão grande quanto os "deuses do Olimpo". Ignoramos os desprovidos, carentes, perdidos. Porque temos medo de fazer algo; sim, o medo de fazer o bem. E, que, meu irmão, não seja por títulos, glória ou honra, apenas por amor, este tão difundido e que pregas com afinco. Perdoe-me aqui, mas a ferida é curada com remédios, não com palavras. De que me serve pregar um "deus" e ignorar a fome, percebe? Somos hipócritas lutando pela conquista de "almas" para nosso reino. É uma luta e não por amor ou em seu nome. Eu sinto asco de mim, só por saber que sou parcela deste mal que tange a humanidade. Por saber, meu caro, que o bem que poderia fazer foge de mim e o mal do qual escondo a face me é realidade contínua.
Rogo-vos, na pura razão, que lutes contra a miséria da ignorância. E que a teu parecido possas estender tuas miseráveis mãos. Porque sei que muitos não entendem, e poucos que entendem se negam. Vê?
Está a nosso alcance, isso, o bem. Porque facilmente o negamos como se não fosse esse o nosso dever?
Como um certo alguém outrora disse e delas faço minhas, as palavras: "Que a nossa religião seja fazer o bem".
Lamento do fundo desta singela alma que sejamos tão mesquinhos e medíocres a ponto de esquecermos dos nossos irmãos que por culpa ou necessidade vagueiam nas vielas sem pão. Peço perdão a vocês se vos dou agora somente palavras, porque sei que não alimentam, nem curam, mas agora é tudo que posso oferecer...
...Mas não é tudo que tenho.

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