O que é
preciso para me tornar um pensador? Questiono-me se é possível, ainda, sermos
seres independentes dos outros seres que antes já pensaram por nós. Pois é
notório o ponto da degradação humana no que se refere à liberdade de si.
Contudo, mesmo diante desta era tépida e ao mesmo tempo tão inovadora, me recuso
a aceitar por aceitar. Que beneficio me traria a não ser limitar-me ainda mais?
Bendito advento tecnológico que trouxe inúmeras facilidades e descobertas
continuas a esta geração. Todavia ouso dizer, ó, maldito advento que nos
posicionou por detrás de todas suas contradições. Porque hoje somos
expectativas daquilo que possa vir; deixando de ser ação e pensamento na
própria evolução. Como pode toda uma espécie
render-se tão passivamente a esta autoridade tecnológica que mais toma
do que nos oferece. Não me venham falar de seus grandes feitos por nós, por que
qual benção herdamos que seja verdadeira? Nosso anseio foi o progresso,
alcançamos apenas a ligeira impressão de tê-lo alcançado. O que de fato nos
sobrou foi a perda dos reais sentidos e retrocesso de nossa glória maior, o
pensar. Hoje, poucos pensam em nome de muitos.
Quanto a
nós, servos deste destino que criamos, que poderemos fazer para ao menos, mesmo
que não nos renda um Nobel, nos readaptarmos a este tempo e não permitir que o
comodismo se nos aposse?
Sinto-me
imperfeito, pois sei que nada que eu acredito seja de fato meu. Ao mesmo tempo
em que me sinto incompleto por não ter aberto à minha mente todas as
possibilidades que outrora se fez presente.
A que ponto
chegamos irmãos? Até que ponto ainda chegaremos? É lamentável observar a
incomensurável apatia deste século. Vejo ante meus passos a projeção de um
futuro decrépito; resta, ainda, duvidas? Quantas noites perdidas em redes
sociais, com amigos virtuais, que no fundo nem são tão virtuosos quanto
demonstram. Quantos anos no conforto de nosso lar, absorvendo o modo de viver
do sonho americano, ou apreciando em nossas telenovelas os maiores vitupérios
que um ser imoral poderia alcançar. O que o que dizer ainda, das partidas de
futebol, que nos rouba tempo e trabalho, apenas para na nossa mediocridade nos
sentirmos fiéis a algo?
E os
pensadores, onde estão que não os vejo. Por onde caminham que não nos é
permitido tocá-los ou mesmo conhecê-los. Neste ponto torno à pergunta inicial,
o que é preciso para me tornar um
pensador? Teria que abandonar todos os prazeres para tal feito? Deveria abdicar
dos desejos mais impróprios que meu ego anseia? Qual percurso devo seguir para
ser um pensador?
Amados,
nesta busca, assim como em todas, há de
haver obstáculos, nem tudo são flores. Você há de se machucar; irá machucar
alguém também, inevitável. Será doloroso, entretanto, virtuoso. Esta é uma
busca compartilhada, porque sua recompensa será a liberdade, isso mesmo, àquela
liberdade do qual sempre idealizastes. Sereis livres, pois pensarás por si só;
serás então “pensador”, pois o mundo já não caberá nas tuas próprias
descobertas.
Eu sei o
que é preciso? Respondo a mim mesmo com toda convicção que a minha liberdade
proporciona: nem tanto; mas sei que é preciso!
Tal
justificativa resume-se em si. Não como um cego desejo, mas sim, como uma
necessidade. Por que bem sei que nem todos podem seguir por apenas um único
caminho. Também não existe uma receita para este sucesso. Todavia, minhas reais
convicções levam-me a crer que no momento em que puramente decidirmos ir a seu
encontro (do que é preciso), então, ele já será parte de nós, esperando apenas
que o desbastemos, com uma sutil diferença, de dentro para fora.
É preciso,
portanto, a coragem dos jovens e a sabedoria dos nossos mestres. É preciso a
ousadia da adolescência, da inocência pueril e da maturidade do homem
responsável. Assim, não importará onde estávamos ou o quão estagnados
estivemos, será uma porta, um caminho sendo aberto, será o primeiro passo do
amor a si mesmo. Não desprezeis o conhecimento, antes, agarra-o e usa-o a teu
beneficio e da humanidade. Entrega-te ao mundo, tenhas um novo mundo em si.
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