segunda-feira, 23 de junho de 2014

O que é preciso?



O que é preciso para me tornar um pensador? Questiono-me se é possível, ainda, sermos seres independentes dos outros seres que antes já pensaram por nós. Pois é notório o ponto da degradação humana no que se refere à liberdade de si. Contudo, mesmo diante desta era tépida e ao mesmo tempo tão inovadora, me recuso a aceitar por aceitar. Que beneficio me traria a não ser limitar-me ainda mais? Bendito advento tecnológico que trouxe inúmeras facilidades e descobertas continuas a esta geração. Todavia ouso dizer, ó, maldito advento que nos posicionou por detrás de todas suas contradições. Porque hoje somos expectativas daquilo que possa vir; deixando de ser ação e pensamento na própria evolução. Como pode toda uma espécie  render-se tão passivamente a esta autoridade tecnológica que mais toma do que nos oferece. Não me venham falar de seus grandes feitos por nós, por que qual benção herdamos que seja verdadeira? Nosso anseio foi o progresso, alcançamos apenas a ligeira impressão de tê-lo alcançado. O que de fato nos sobrou foi a perda dos reais sentidos e retrocesso de nossa glória maior, o pensar. Hoje, poucos pensam em nome de muitos.
Quanto a nós, servos deste destino que criamos, que poderemos fazer para ao menos, mesmo que não nos renda um Nobel, nos readaptarmos a este tempo e não permitir que o comodismo se nos aposse?
Sinto-me imperfeito, pois sei que nada que eu acredito seja de fato meu. Ao mesmo tempo em que me sinto incompleto por não ter aberto à minha mente todas as possibilidades que outrora se fez presente.
A que ponto chegamos irmãos? Até que ponto ainda chegaremos? É lamentável observar a incomensurável apatia deste século. Vejo ante meus passos a projeção de um futuro decrépito; resta, ainda, duvidas? Quantas noites perdidas em redes sociais, com amigos virtuais, que no fundo nem são tão virtuosos quanto demonstram. Quantos anos no conforto de nosso lar, absorvendo o modo de viver do sonho americano, ou apreciando em nossas telenovelas os maiores vitupérios que um ser imoral poderia alcançar. O que o que dizer ainda, das partidas de futebol, que nos rouba tempo e trabalho, apenas para na nossa mediocridade nos sentirmos fiéis a algo?
E os pensadores, onde estão que não os vejo. Por onde caminham que não nos é permitido tocá-los ou mesmo conhecê-los. Neste ponto torno à pergunta inicial, o que  é preciso para me tornar um pensador? Teria que abandonar todos os prazeres para tal feito? Deveria abdicar dos desejos mais impróprios que meu ego anseia? Qual percurso devo seguir para ser um pensador?
Amados, nesta busca,  assim como em todas, há de haver obstáculos, nem tudo são flores. Você há de se machucar; irá machucar alguém também, inevitável. Será doloroso, entretanto, virtuoso. Esta é uma busca compartilhada, porque sua recompensa será a liberdade, isso mesmo, àquela liberdade do qual sempre idealizastes. Sereis livres, pois pensarás por si só; serás então “pensador”, pois o mundo já não caberá nas tuas próprias descobertas.
Eu sei o que é preciso? Respondo a mim mesmo com toda convicção que a minha liberdade proporciona: nem tanto; mas sei que é preciso!
Tal justificativa resume-se em si. Não como um cego desejo, mas sim, como uma necessidade. Por que bem sei que nem todos podem seguir por apenas um único caminho. Também não existe uma receita para este sucesso. Todavia, minhas reais convicções levam-me a crer que no momento em que puramente decidirmos ir a seu encontro (do que é preciso), então, ele já será parte de nós, esperando apenas que o desbastemos, com uma sutil diferença, de dentro para fora.

É preciso, portanto, a coragem dos jovens e a sabedoria dos nossos mestres. É preciso a ousadia da adolescência, da inocência pueril e da maturidade do homem responsável. Assim, não importará onde estávamos ou o quão estagnados estivemos, será uma porta, um caminho sendo aberto, será o primeiro passo do amor a si mesmo. Não desprezeis o conhecimento, antes, agarra-o e usa-o a teu beneficio e da humanidade. Entrega-te ao mundo, tenhas um novo mundo em si.

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